daredevil1_cabeca

Saudações versáteis leitores!

Trazemos até vocês neste final de semana um assunto que gerou uma saudável discussão entre os colaboradores do BJC: verdades e mentiras sobre as edições diferenciadas dos filmes.

Todos vocês já devem ter visto filmes sendo vendidos como edições diferentes: Estendida, do Diretor, Estendida do Diretor, Unrated, Uncut, etc… Mas o que essas versões tem de diferente mesmo?

Antes de abordarmos a discussão propriamente dita vamos a um glossário dos termos usados pela indústria de entretenimento, cortesia de nosso colaborador Alex “Wiz”:

Theatrical Cut (TC): Corte destinado aos cinemas. Existem casos de um corte exclusivo para os EUA, que chamamos de US theatrical cut (ou simplesmente US cut), e outro para o resto do mundo, chamado international theatrical cut (ou simplesmente international cut). Essas variações ocorrem em casos que vão desde filmes clássicos ou cult, como The Shinning (Stanley Kubrick) e Legend (Ridley Scott), passando por sucessos recentes de bilheteria, como Spider-man 2 (Sam Raimi), à filmes que menos conhecidos como Anger Management (Peter Segal).

Extended Cut (EC): Uma versão mais longa, com acréscimos em relação ao TC. Na grande maioria das vezes, há um bom motivo para as cenas terem sido cortadas durante a edição do TC, como por exemplo, ritmo do filme (pacing) ou a inclusão de subtramas desnecessárias, que muitas vezes até enfraquecem o filme. Em geral, são edições caça níqueis, sendo interessante. Para marinheiros de primeira viagem, nesses casos apenas para fãs do ponto de vista de curiosidade para fãs, mas não para Ex: Black Hawk Down, The Patriot, Donnie Brasco, The Animal e vários outros filmes, principalmente da Sony, que é a maior especialista nisso.

Alternate Cut (AC): Corte alternativo, onde pode ocorrer uma combinação de variados fatores como: mudança na ordem das cenas, inclusão de novas cenas ou tomadas alternativas, encurtamento ou mesmo retirada de cenas, alteração da trilha sonora etc.. Exemplos: Payback, Star Wars (todos), Star Trek (1, 2, 4, 5, 6), Superman (1 a 4), Resident Evil: Apocalypse, etc.

Por outro lado, temos as designações Unrated e Director’s Cut que não são exclusivas nem mutuamente excludentes às categorias acima.

Unrated: significa apenas que não passou pelo orgão de censura americano (MPAA), podendo ou não conter algo realmente ultrajante ou pesado. Faço essa observação porque esse é o sentido literal da palavra, mas, historicamente, o termo sempre esteve associado a cortes mais gráficos (em termos de violência e/ou referência sexual mais explícita). Entretanto, essa conotação acabou se perdendo devido à banalização do seu uso (obviamente por motivos financeiros) em edições que simplesmente não foram enviadas para análise, mas que poderiam muito bem passar ou passar com censura um pouco mais alta, mas não necessariamente um X-rated

Director’s Cut (DC): deveria corresponder à versão preferida pelo diretor, mas não é o que ocorre de fato, na prática. Em muitos casos, é simplesmente jogada de marketing. Devido ao forte apelo comercial, o rótulo é utilizado indiscriminadamente, às vezes, em edições que sequer tem envolvimento do diretor.

Este debate começou com o texto que nossa colaboradora Helena fez a respeito das edições estendidas da trilogia d’O Senhor dos Anéis e com o anúncio do lançamento em Blu-ray desta mesma trilogia.

Vamos agora a alguns exemplos de filmes com cortes diferenciados, compilados da lista de discussão dos colaboradores do BJC:

Alexandre (2004)

Theatrical Cut (141 min)
Director’s Cut (114 min)
Final Cut (214 min)

O melhor exemplo de filme com várias versões, na verdade não existe um único Director’s Cut. Todas as 3 versões são director’s cut, Olliver Stone teve a palavra final nas 3. Stone já é famoso por revisar seus filmes e esse é um mero caso em que o fracasso comercial motivou ou impulsionou a tentativa de acertar e “cacifar” com vários cortes. A segunda versão ficou naturalmente com o título de Director’s Cut, mas como também não foi muito feliz, veio o Final Cut.

Capas das edições lançadas lá fora:
Alexandre
Edição dos cinemas, do diretor e final cut

Trilogia O Senhor dos Anéis (2001/2002/2003)

Theatrical Cut (178/179/210 min.)
Director’s Cut (208/222/260 min)

As duas versões são director’s cut. Peter Jackson teve a palavra final em ambas e não necessariamente uma é preferida em relação à outra, são cortes diferentes com objetivos diferentes (aliás, as Extended Cut são na verdade Alternate Cuts, pois não são meramente estendidas, apresentando também algumas alterações). É uma visão muito análoga à do próprio PJ, as duas versões se completam, por isso disse que o verdadeiro fã tem que ter as duas. Mas a título de curiosidade, conheço gente que prefere sim as TC.

Capas das edições TC e EC lançadas lá fora:

Lotr_tcLotr_ec
Edições do cinema (TC) e edições estendidas (EC)

Blade Runner (1982)

Theatrical US Cut (118 min)
Theatrical International Cut  (118 min)
Alternate Cut (105 min)
Director’s Cut (108 min)
Final Cut (112 min)

Ridley Scott é mais um desses diretores famosos por múltiplos cortes, mas nesse caso ele nem teve envolvimento com o dito director’s cut (de 1992). Na época o diretor nem havia restaurado relação com os produtores e o rótulo foi utilizado meramente por questões promocionais de marketing. O Director’s Cut de fato só veio à tona com o recente lançamento do Final Cut. Além disso, Blade Runner tem US Cut, International Cut e Alternate Cut (Workprint). Portanto acho que é o caso mais completo da história.

Nota do NerdMaster:
O único modo de você ter TODAS as 5 versões do filme é através dos boxes lançados aqui no Brasil (com 3 discos, apenas com os filmes) ou nos EUA (com 5 discos: os 3 do Brasil e mais 2 discos de extras) tanto em DVD quanto em BD.

Fotos dos boxes:

21262692_461UuM4DakzL._SS500_
Box brasileiro em DVD e box americano em Blu-ray

Alien – O Oitavo Passageiro (1979)

Theatrical Cut (116 min.)
Director’s Cut (115 min)

De novo Ridley Scott e nesse caso o diretor’s cut não é necessariamente a versão preferida. Essa foi uma nova versão montada para promover o aniversário de 20 (ou era 25?) anos do filme, mas o TC foi o corte do Ridley Scott na época e é o verdadeiro DC.

Foto do box Alien Quadrilogia, onde todos os 4 filmes estão nas versões TC e DC:

A Lenda

Theatrical US Cut (89 min)
Theatrical International Cut  (86 min)
Final Cut (113 min)

De novo Ridley Scott e esse também teve US Cut, International Cut e uma Ultimate Edition em DVD com o Final Cut. O filme teve uma série de problemas técnicos e de orçamento na época da sua produção e não chegou a ser totalmente acabado. As versões US e Int Cut foram tentativas de se alcançar sucesso comercial, mas a versão que mais se aproxima do que originalmente pretendia o Ridley é o Final Cut, viabilizado apenas mais recentemente.

Capas das edições lançadas lá fora:

Lenda1 Lenda2
Edição simples (TC – US Cut) e edição Ultimate (DC)

Titanic (1997)

Theatrical Cut (194 min)
Director’s Cut (225 min)

Neste e em outros filmes de James Cameron (como Exterminador do Futuro 2 e Aliens 2) novamente as versões DC são as TC. As versões ditas de diretor ou estendidas são apenas curiosidades para os fãs, não tendo nenhuma participação do James Cameron.

Capas das edições de Titanic que foram lançadas aqui:

Titanic Fx02446

O Segredo do Abismo (1989)

Theatrical Cut (138 min)
Director’s Cut (171 min)

Esse é um caso parecido com A Lenda, Blade Runner, Alien 3, etc. Originalmente, o filme não pôde ser concebido da forma que Cameron pretendia por questões orçamentárias e cronograma. A edição especial é que mais se aproxima do que seria o verdadeiro director’s cut.

Guerra nas Estrelas IV, V e VI (1977/1980/1983)

Thetrical Cut (121/124/131 min)
Director’s Cut (125/129/136 min)

Este é mais um caso de filme remasterizado. George Lucas não pôde, na época do lançamento da primeira trilogia, colocar todos os efeitos e cenas que imaginou para a saga dos Skywalkers. Mais tarde, com o lançamento da segunda (ou será a primeira??) trilogia e com mais recursos ($$) ele conseguiu fazer a versão mais satisfatória para sua imaginação.

Os Guerras nas Estrelas IV, V e VI (odeio quando chamam de “Star Wars”…) vendidos em estojos separados duplos têm justamente a versão TC e a EC, uma em cada disco. Na lata da primeira trilogia também tem as duas versões.

Capas das edições duplas:
Guerra nas Estrelas IV Guerra nas Estrelas V Guerra nas Estrelas VI

Demolidor – O Homem sem Medo (2003)

Theatrical Cut (103 min)
Director’s Cut (133 min)

O diretor Mark Steven Johnson realizou um feito notável: fez de sua versão do diretor um filme TOTALMENTE DIFERENTE da versão TC. Segundo opinião do Jotacê: “São dois filmes diferentes! Tem que se ter as duas edições para saber!”

Aqui no Brasil o filme foi lançado em três edições: Simples (TC) com áudio DTS, dupla (TC) com áudio DTS e extras e Versão do Diretor (DC) SEM ÁUDIO DTS E SEM EXTRAS!!

Se você quiser ter a edição do diretor (considerada por muito como superior à TC) e os extras tem que comprar duas vezes: a edição dupla e a versão do diretor. Dá vontade de chorar!

Capas das edições:
Versoes_do_demolidor
Edição simples, edição especial dupla e edição estendida

E vocês, leitores do BJC, o que acham dessas dezenas de edições que lançam de nossos filmes favoritos?

Dê-nos suas opiniões nos comentários. Vocês lembram de mais algum filme com esse problema de “múltiplas personalidades”?

Vida Longa e Próspera
[ad#amzusa550]

[ad#sub550]