Blu-ray resenha: Ritchie “Outra Vez Ao Vivo No Estúdio”

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Recebi a informação do Jotacê pelo telefone, que me incubiu de fazer a resenha do primeiro título de Blu-ray gravado, produzido e fabricado no Brasil. É uma grande responsabilidade, já que é um lançamento e pioneiro em tantas coisas. Vou ser bem detalhista e comentar pontos que geralmente não coloco na resenha, como capa, encarte, acabamento, menu, etc.

Sobre a edição:

Na capa está uma montagem de fotos do estúdio Visom (onde foi gravado, Rio de Janeiro), com partes do console de gravação e o Ritchie em contraste com um spot de luz alaranjada, em frente ao precioso microfone Blue Kiwi. A Contracapa mostra mais fotos da gravação, junto com a lista de músicas, ficha técnica e detalhes técnicos do Blu-ray. Nessa ultima parte notei um erro de digitação, onde deveria dizer “Tempo Aproximado de Programa”, está escrito assim: “Tempo APROXAIMDO do Programa”, isso é um erro pequeno, mas que provavelmente estará em todas as cópias do primeiro lote. A impressão no disco em si parece um pouco borrada, não sei se é proposital. No geral, a capa e contra capa estão ótimas, com fotos definidas e uma arte chamativa. O menu do disco é bem claro, com música em loop e fontes compatíveis com a proposta. Não gostei do “X” para sair dos menus de áudio, extras, etc, que parece fonte de MS-DOS, meio sem criatividade. O disco inclui nos extras uma musica e o making of .

Sobre a imagem:

A Gravação em em Full HD 1080p (1.78:1) não deve nada para produções internacionais, está impecável em quase toda sua extensão, mas tem algumas quedas de bitrate e foco, que na minha opinião é de alguma câmera mal calibrada ou diferença entre modelos/marcas de câmera. Existem momentos em que a imagem fica desfocada, dando também a impressão de não ser 1080p, talvez seja proposital, uma camera de outro formato, tipo e definição, o que é comum em shows e gravações, mas nesse caso parece simplesmente que a imagem está fora de foco em alguns momentos. Mas não compromete a qualidade geral do vídeo, que anda na média de 15 Mbps, razoável para um ambiente escuro como o em questão. O estúdio Visom tem uma sala bem cuidada e com pequenos detalhes, acabou virando o palco de uma gravação ao vivo em estúdio, ou seja, as musicas são gravadas com todos os músicos, instrumentos juntos e em sequência (na teoria), o que faz que seja um show sem público, em um ambiente controlado. Pelo mesmo motivo, a imagem talvez canse um pouco antes do esperado, já que a maior parte do tempo as cenas são do Ritchie e o microfone, alternando com a banda. Em um show ao vivo temos outros elementos que dão mais dinâmica ao vídeo, como público, dança, efeitos, etc. Foi usado também uma tela e efeitos de “Moving Lights” para dar um fundo a gravação, como na música “Nesse Avião”, há uma imagem de nuvens e céu ao fundo. Os cortes, detalhes e ângulos são bons, tudo bem enquadrado e com a ajuda de uma Steadicam, as imagens em movimento são ótimas. A imagem está no geral cristalina, bem capturada, e dá a sensação de estarmos vendo uma produção de primeira, como as “gringas”.

Sobre o áudio:

Nesse quesito, vou deixar bem claro duas coisas, existe o áudio capturado e gravado no estúdio e existe o resultado sônico do Blu-ray como mídia, ou seja, uma coisa é como foi gravado, com os equipamentos, gosto do técnico/artista, e outra coisa é como essa gravação chega aos nossos ouvidos, como ela foi “moldada” pra chegar a nós. Não sou fã de gravações em estúdio, acho que falta vida, é tudo muito certinho, e por conviver muitos anos nesse meio, aprendi que vários truques são usados o que tira a realidade da performance. Hoje em dia mais ainda. O áudio está muito bem captado, os instrumentos são de qualidade, equipamentos de ponta ( como o console Euphonix de gravação, o microfone Blue, o pré-amplificador valvulado Avalon no baixo, etc) o que faz um resultado sônico de alta qualidade e definição, uma Ferrari a disposição de um piloto, basta ter um bom piloto. Mas é aí que pega alguns detalhes, como a própria voz do Ritchie, que em alguns momentos é notória a técnica de “Overdub”, para “dublar” alguns trechos. A palavra dublar aqui é usada ao contrário, porque a técnica de “Overdub” é cantar e gravar por cima do que já foi gravado, ou seja, sobrepôr a voz, para melhorar ou modificar a gravação original que por qualquer motivo não está satisfatória. Isso é claramente perceptivel nas músicas que o Ritchie toca violão ou guitarra, e quando ele está cantando e vira o rosto para olhar para os acordes, a voz continua na mesma intensidade, timbre. Isso seria quase impossível de acontecer, com um microfone tão crítico, e obviamente vemos a pessoa virar pro lado e a voz continua como se estivesse a frente do microfone, sem mudança nenhuma. Em alguns momentos também notam-se erros pequenos de lipsync, onde o “Overdub” não casou 100% com a imagem original, da gravação original. Isso pode ser ainda ( acho improvável) um pulo ou erro de sincronismo de audio e vídeo pelo timecode, mas não acho que é o caso. Isso dá uma sensação de que estamos vendo o Ritchie, mas em nenhum momento ele está lá cantando ao vivo com a banda. O mesmo acontece nos momentos em que ele toca flauta. A bateria, que sempre digo que é o pilar da gravação, está distante na mixagem, e muito velada na caixa e nos pratos (overs), eles nunca estão presentes e soando toda a harmonia que têm, pelo menos não ouvimos, já que a compressão da gravação ou por gosto ou por excesso não deixa a caixa soar, nem os pratos. O uso do surround é razoável, muitos loops de teclados (“na cara” demais em alguns momentos) e eletrônicos, e alguma coisa da bateria. Tudo isso, pode ser uma escolha do proprio artista, do técnico ou do produtor, já que a mixagem é acompanhada por todos geralmente, e nesse ponto, juntamente com a masterização, são definidos a posição de cada instrumento, a profundidade, a compressão, o timbre, etc. Então o que pra mim não é agradável de ver e ouvir, e parece errado, pode ter sido feito propositalmente, por escolha de qualquer um dos citados acima. Independente disso, a qualidade de áudio é excelente, com timbres bem definidos de voz, guitarra e saxofone que aparece em algumas músicas. O áudio vem nas opções de LPCM 2CH 96KHZ 24BITS e LPCM 5.1CH 48KHZ 16 BITS, além do Dolby Digital 5.1. A melhor opção pra se ouvir é a LPCM, que tem uma amostragem maior, e na minha opinião combina com a característica de estúdio, a proposta do Blu-ray. O 5.1 LPCM vem em segundo, andando na média de 6.9 Mbps ( relativamente alta pra 16 bits) mostrando uso das caixas surround com frequência, mas bagunçando um pouco o palco sonoro da bateria.

Conclusão:

Para nosso primeiro Blu-ray, não estamos devendo nada pros gringos, a autoração é de primeira linha, o conteúdo está bem desenvolvido, imagem cristalina. E pra quem é saudoso do Ritchie e seus sucessos dos anos 80 como “Menina Veneno”, e também de bons covers como “Mercy Street” de Peter Gabriel é uma ótima pedida. O fato de alguns aspectos da gravação não me agradarem, como eu disse antes, nada tem a ver com a qualidade final do produto, já que esses aspectos podem ter sido intencionais, mas que não agradam meu conhecimento técnico de gravações.

Recomendo!

Link para o Blu-ray na Saraiva:

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