BD Resenha – Dia dos Mortos

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Sobre a revista:

A segunda edição da revista Blu-ray News (a edição especial que teve O Dono da Festa encartado não conta na numeração) chega com 65 páginas e o mesmo acabamento do primeiro número. Mais uma vez oferecida a R$29,99 é, segundo ela mesma, a primeira publicação NO MUNDO a tratar exclusivamente de Blu-ray. O que, se realmente for verdade (e acho que é mesmo), indica mais uma vez o pioneirismo e o caráter quase visionário da Editora NBO no mercado de home video.

Entre as matérias publicadas, temos 18 páginas dedicadas aos lançamentos em Blu-ray (filmes e games). A seção “News” nos oferece notícias bem interessantes sobre o mundo do Blu-ray (a notícia da cápsula 2210, por exemplo, só vi na revista, em nenhum outro lugar). Duas páginas sobre a carreira de James Cameron, três páginas sobre o Blu-ray de Homem de Ferro 2 (ok, muito mais sobre o filme que sobre o Blu-ray), duas páginas sobre o games e PS3, duas páginas sobre deficientes visuais e o recurso da audiodescrição, duas páginas sobre terror em alta definição, duas páginas sobre colecionáveis lançados no exterior, cinco páginas sobre equipamento de home theater (com dicas genéricas de instalação e sem valores de equipamentos), uma página sobre Blu-ray 3D, uma página dedicada a explicar os formatos de áudio HD e uma página falando sobre o box de Tintin em DVD (que mesmo sendo chamada de seção “Retrô” ficou deslocada em uma revista que trata de Blu-ray).

As três matérias que posso destacar como mais interessantes são:

  1. “A Universal volta ao Blu-ray”Esta matéria é um resumo da que foi publicada na revista Ver Vídeo (que é do mesmo grupo editorial da Blu-ray News), e que noticiamos no início de setembro. Nela, três executivos da Universal afirmam que a ausência da Universal no mercado de Blu-ray no Brasil “foi um erro motivado por decisão equivocada” (e bota equivocada nisso). Comentam alguns títulos como futuros lançamentos, mas não citam Tropa de Elite (que já foi lançado até na Suécia e é uma das maiores ausências no mercado nacional). Leitura OBRIGATÓRIA.
  2. “Pirataria em Blu-ray” Matéria de duas páginas que fala sobre a venda de Blu-rays piratas no país. Compara Blu-rays reais com discos piratas, mas afirma que os testes foram feitos com DVDs de dupla camada vendidos como Blu-rays. A matéria não fala sobre os verdadeiros Blu-rays piratas, e encerra dizendo que “não foi dessa vez que conseguiram piratear o Blu-ray no Brasil” (o que não é verdade). O BJC enviou para a NBO o REAL disco pirata (mostrado neste post) e aguarda nova matéria esclarecendo o assunto, que deverá revelar a verdadeira situação do mercado ilegal em alta definição no Brasil.
  3. “Colecionismo de alta definição” – em duas páginas a revista Blu-ray News trata sobre coleções de BDs, com depoimentos de três colecionadores que eu nunca tinha ouvido falar: Marcos Alexandre Albuquerque, Jayme José Leitão e Carlos Henrique da Silva [será que eles também são leitores do BJC?]. Os três mostram suas coleções e falam sobre as diferenças de colecionar DVDs e BDs (a coleção do Carlos Henrique é impressionante, são 3200 títulos em DVD, LD e BD). Com essa matéria a revista claramente reconhece o poder de quem coleciona e se configura como principal publicação impressa voltada para colecionadores de home video no Brasil. Queremos mais matérias com colecionadores nos próximos números! 😀

Sobre a apresentação:

O disco está acondicionado em um estojo Amaray Dubois de 14mm, replicado mais uma vez pela Microservice. A capa é praticamente idêntica a do Blu-ray lançado nos Estados Unidos. A arte do disco é diferente da versão americana, sendo apenas uma adaptacão da ilustração da capa. Na minha opinião, a arte do Blu-ray no Reino Unido também é interessante. De qualquer forma, qualquer uma delas é melhor que a arte do DVD lançado no Brasil pela própria NBO.

Mais uma vez, a contracapa fica devendo a descrição completa do formato de tela (1.85:1 anamórfico). Temos a informação do número de camadas do disco (BD50) e que o filme está em Full HD 1080p. Não há arte interna nem índice de cenas.

Sobre os menus:

Em termos gráficos são os melhores menus lançados pela NBO até agora em Blu-ray. Mesmo assim, vale a nota para o pessoal da ETC Filmes (que autora todos os BDs da editora) que utilizem fontes (tipos, letras), mais personalizadas. Fontes estilo Impact já estão desgastadas e batidas, além do que conferem um aspecto genérico para a autoração.

A navegação é MUITO prejudicada pelo fato de termos que fechar cada um dos menus em um campo específico com um “X”. Isso é coisa que em Blu-ray se torna totalmente desnecessário com as funcionalidades das setas para cima e para baixo do controle remoto. Vale a pena revisar isso aí ETC!

😉

Vídeo abaixo demonstrando o visual e a navegação:

Sobre a imagem:

A tranferência está com seu formato de tela original 1.85:1, com codec AVC em 1080p. Neste quesito, apresentamos uma novidade nas resenhas do BJC: graças ao auxílio fundamental do nosso leitor César Coelho, podemos finalmente comparar, através de capturas e gráficos, a imagem de uma edição nacional em Blu-ray com sua equivalente no exterior. Existem diferenças, mas são MUITO sutis. Observem:

Captura do Blu-ray brasileiro
Captura do Blu-ray lançado no Reino Unido (via DVD Beaver)
Captura do Blu-ray brasileiro
Captura do Blu-ray UK (via DVD Beaver)

Captura do Blu-ray brasileiro

Captura do Blu-ray UK (via DVD Beaver)

Nas imagens estáticas, a única diferença que perceber foi na tonalidade das cores. Abri as capturas no Photoshop, e o gráfico de Levels indicou diferenças principalmente nos canais vermelho e azul (este último mais afetado na comparação). Como a diferença é mínima e poucos devem saber qual a tonalidade mais correta em relação ao exibido nos cinemas, considero isso insignificante no contexto do lançamento brazuca.

O que chama a atenção realmente é a transferência “apertada” da nossa edição. Compare os gráficos baixo e veja que a relação dos dados versus tempo de exibição:

Edição do Reino Unido: bitrate bem mais folgado (via DVD Beaver)
Edição da NBO: tranferência com menor bitrate

Sobre o realce dos contornos (Edge Enhancement), podemos perceber claramente no início do filme sua presença, ainda mais se formos dar uma observada na borda do título do filme (primeira imagem da sequência acima). Mas, como vocês podem notar, tanto a versão do Reino Unido quanto do Brasil possuem esse realce, que por sorte só está presente no início do filme, e depois “some”.

Dizer que a imagem dessa transferência é infinitamente superior a do DVD é até redundante. Esta não é uma produção que gastou os tubos com a remastrização e tratamento de película para que pudesse ser considerada um paradigma. Mas é, ao menos, digna.

Sobre o áudio:

A trilha original em inglês PCM 5.1 tem boa presença nos diálogos, que são bem claros e sem nenhum tipo de ruído. Os canais surround é que foram praticamente esquecidos, assim como o subwoofer que poderia estar desligado que ninguém sentiria sua falta. Existe ainda a trilha em inglês DD 5.1 e a dublagem brasileira em DD 2.0 com muito boa qualidade.

Sobre os extras:

Aqui mais uma vez a NBO não falha, com absolutamente TODOS os extras legendados em português. Só este fato faz com que a edição seja superior a grandes lançamentos do mercado brasileiro de home video, como os da Paramount que não legenda os comentários do diretor, ou como alguns BDs recentes da FOX que não possuem legendas em NENHUM material adicional.

Infelizmente os extras chegaram em definição SD (480i), mas o que de forma alguma prejudica a experiência de saber os detalhes da produção.

Comentários em áudio de George A. Romero, Tom Savini, Cletus Anderson e Lori Cardille – Eu não sou muito fã desse tipo de extra, ainda mais quando temos mais de um comentarista falando, e não se está familiarizado com a voz de cada um (o recurso com PIP sempre ajuda nesses casos). Mas aqui temos uma faixa com informações interessantes e divertidas. Dá até agonia ao ovir Romero falando do FEDOR que tomava conta das filmagens dentro do set cavernoso (uma mina de calcário nas proximidades de Pittsburgh).

Comentários em áudio de Roger Avary – roteirista que trabalhou em Pulp Fiction e A Lenda de Beowulf falando como fã do filme. Faixa sonolenta e pouco informativa.

Os Muitos Dias de Dia dos Mortos (38:41 SD) – Documentário sensacional sobre a produção, com depoimentos atuais de Romero, elenco e equipe. Eles falam sobre os problemas de orçamento, de como o roteiro teve que ser enxugado para que o filme pudesse ser realizado, tudo intercalado com imagens de bastidores filmadas em VHS (acreditem, a edição de tudo isso junto ficou MUITO bem feita). As escolhas para as locações, particularmente a mina de calcário em que todos tiveram que ficar durante as filmagens, geraram depoimentos muito sinceros e curiosos. Outra parte do documentário que vale citação é quando todos começam a falar dos “zumbis figurantes”, que não ganharam NADA para participar do filme, mas que fizeram aquilo com tanta dedicação e prazer que voltavam para casa com a maquiagem completa. Romero chega a dizer que as lanchonetes de Pittsburgh ficavam cheias de “pessoas mortas” após as filmagens! 😀 Os produtores também falam sobre a estreia nos cinemas e sobre a possibilidade de um novo filme.

Por trás das Câmeras (30:51 SD) – Como se já não bastasse tudo o que foi dito e mostrado sobre maquiagem no documentário anterior, agora temos meia hora de testes de filmagens e aplicação das máscaras. Mais um extra espetacular, com apresentação detalhada dos principais recursos utilizados como efeitos especiais no filme. Como é bom ver uma produção totalmente analógica, sem a intervenção dos recursos digitais de hoje em dia. Tudo isso deixa o filme ainda mais cru e verossímil (quando é bem feito, como foi Dia dos Mortos).

Entrevista em áudio com Richard Liberty (15:44 SD) – Tipo de extra difícil de se assistir, pois além da qualidade do áudio ser ruim (parece ser gravada via telefone, com ruído ambiente), durante todo o tempo temos apenas uma imagem estática ao fundo. O ator fala sobre o trabalho dele com Romero e detalhes da produção. É um registro histórico, nada mais do que isso.

Trailers e comerciais de TV – mais uma vez, TODOS LEGENDADOS! YEAH!

Extras que ficaram de fora – Comentários em áudio da equipe de efeitos especiais, Joe of the Dead, Travelogue, Romero Zombography (Blu-ray UK).

Ficha técnica:

  • Disco: Blu-ray Dupla Camada BD50
  • Tamanho ocupado em disco: 33.114.863.136 bytes
  • Tamanho do filme no disco: 24.134.141.952 bytes
  • Codec: MPEG-4 AVC Video
  • Trilha de áudio principal (inglês): LPCM 5.1 4608Kbps (48kHz/16-bit)
  • Bitrate: 31,91 Mbps
  • Áudio em inglês e português
  • Legendas em português

Conclusão:

Mais um Blu-ray da Editora NBO que tenho a satisfação de dizer: fundamental de se ter na coleção (e com orgulho). Parabéns para todos que trabalharam neste lançamento que, apesar de ser realizado por empresas independentes, é de muito boa qualidade. Continuem com os acertos e revisem os itens ainda pendentes que (nós todos) só temos a ganhar! 😀

BJC recomenda!

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