Blu-ray: novo formato, velhas manias

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Rááááááá! Extras sem legendas! GLUGLU! 😀

Olá amigos colecionadores!

Eu comecei a colecionar filmes em mídias digitais a partir de 2000. Desde então, venho acompanhando a evolução (ou, em alguns casos, a involução) do mercado brasileiro de Home Video.

Nos primeiros anos do DVD, quando ainda não existia replicação ou autoração no Brasil e onde a internet banda larga era apenas um sonho, pude presenciar diversas políticas que iam contra os interesses dos consumidores brazucas. DVDs sem áudio em nossa língua, extras limados ou títulos sem legendas era algo muito comum.

Com o passar do tempo, as vendas de equipamentos aumentaram e o consumo das mídias também cresceu; assim, as produtoras começaram a mudar essa política, passando a perceber mais que havia a necessidade de melhorar a qualidade de seus produtos.

Mais alguns anos se passaram e o DVD encontrou o seu sucessor: o Blu-ray. No Brasil, mesmo sem autoração ou replicação nacional, os primeiros títulos começaram a ser comercializados em 2008. Hoje, o cenário é totalmente diferente de 10 anos atrás, mas parece que as produtoras voltaram aos velhos costumes do passado.

Nesta última semana, recebi cinco títulos em Blu-ray: um trazido da Inglaterra (Gladiador, edição dupla), dois dos Estados Unidos (O Planeta Proibido e Gigi, ambos da Warner, via Amazon) e mais dois adquiridos numa loja virtual brasileira, situada no fundo do mar (A Noviça Rebelde em edição dupla e Motoqueiro Fantasma).

Todas estas edições possuem legendas em nosso idioma no filme. Para quem não sabe, mesmo já existindo replicação e autoração nacional, as produtoras majors preferem a autoração internacional, provavelmente visando a redução de custos.

Como muitos títulos com legendas em nosso idioma não são lançados no Brasil, preciso importar alguns de meus filmes favoritos. Como minha namorada está finalizando o artigo de seu MBA, aproveitei este feriado de Corpus Christi para assistir minhas últimas aquisições em Blu-ray; para minha surpresa, vi uma sequência de maus hábitos das produtoras nacionais no que tange o material incluído nos discos de alta definição.

Dos títulos que poderiam não ter legendas em nosso idioma no material extra (os filmes importados), somente O Planeta Proibido não as possuía; entretanto, a edição americana de Gigi e a inglesa de Gladiador foram totalmente legendadas e só posso elogiá-las pelos belos suplementos (a edição nacional de Gladiador foi lançada sem o disco de extras). Já as duas edições nacionais são a prova do desrespeito das produtoras com o colecionador tupiniquim.

A edição dupla de aniversário de 45 anos de A Noviça Rebelde teve um tratamento todo especial na restauração e na transferência de imagem, recebendo uma trilha inédita em DTS-HD 7.1 canais, juntamente com um material extra extenso. Tudo seria perfeito se não fosse por um pequeno detalhe: todos os extras inclusos no disco 2 não possuem legendas em nosso idioma (ou seja, impróprio para consumo).

Aí vem uma simples pergunta: por que lançar uma edição com dois discos se um dos discos não terá utilidade alguma para boa parte dos consumidores?

A edição de Motoqueiro Fantasma é um caso ainda mais complexo, pois a embalagem informa a existência de menus, áudio e legendas nos extras em português, o que não é verdade. O mais estranho é que a edição dupla em DVD lançada no Brasil possui estas legendas e a dublagem.

Vendo toda essa situação, passo a refletir sobre o posicionamento das produtoras no mercado de Blu-ray. As produtoras independentes querem nos ludibriar com edições mutiladas e sem áudio em alta definição, já as majors lançam seus filmes a preços absurdos, cortam os discos adicionais e deixam de lado detalhes básicos como legendagem ou dublagem em nossa língua.

Não posso falar por todos os colecionadores e consumidores, mas eu entendo a dificuldade de se lançar edições com embalagens especiais iguais às das importadas. Na verdade, só espero receber o mais básico ao comprar um filme, que é pagar um preço justo, ter todos os extras das edições mais completas lançadas lá fora e que todos sejam legendados.

Para que o mercado cresça mais, as produtoras precisam estar ligadas no que o consumidor espera. Em um país onde o número de salas de cinema que exibem filmes dublados aumenta a cada dia, é inadmissível que seja lançado um Blu-ray sem essa característica.

Este site foi criado para que os colecionadores possam elogiar, criticar e sugerir melhoras no mercado de Home Video. Hoje, espero que este site sirva também de ponte para estreitar as relações entre as empresas responsáveis pelos lançamentos e os colecionadores para que, consequentemente, nós brasileiros tenhamos produtos de maior qualidade e que o Blu-ray cresça e perdure por muitos e muitos anos.

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