Coluna do Fonseca: Harry Potter

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O mundo das franquias ocupa um capítulo à parte na esfera colecionística. Somente fãs de Jornada nas Estrelas, Guerra nas Estrelas, O Senhor dos Anéis, James Bond, Harry Potter, enfim, somente esses fãs sabem como é ser colecionador de não apenas um tipo de objeto, um tipo de mídia, mas sim de tudo que envolve aquela obra. Sem dúvida há legiões de fãs para filmes únicos também, mas a essência da franquia, do ponto de vista comercial, é ganhar dinheiro. E como fazem isso? Produzindo a maior quantidade possível de produtos relacionados à obra original. E fãs e colecionadores encontram assim um mar de possibilidades no qual mergulhar.

Hoje estréia nos cinemas Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2, o oitavo e último filme baseado na série de livros criados por J.K. Rowling. A Pedra Filosofal, o primeiro livro, foi lançado em 1997. Sua adaptação para o cinema chegou às telas em novembro de 2001. Temos aí mais de uma década de lançamentos, entusiasmo, antecipação e filas colossais, fossem para os lançamentos dos livros ou para as estreias dos filmes. Nos livros, a saga chegou ao fim em 2007. E foi com um misto de tristeza e alegria que viajei nas páginas da conclusão da saga. Nessa época adquiri em pré-venda a edição americana do livro, por aqui mesmo. Não me lembro ao certo, mas acredito que dois dias depois do lançamento o livro chegou em casa. Até ali eu vinha lendo as edições brasileiras (com uma exceção). Mas para o último não poderia esperar 6 meses para saber a conclusão. Sem contar o risco que correria em descobrir detalhes da trama antecipadamente. Aliás, enquanto li o livro me desliguei totalmente da internet, para não correr esse risco. No mesmo mês de lançamento do último livro, chegava aos cinemas a adaptação do quinto livro, Harry Potter e a Ordem da Fênix. Apesar do fim nas páginas, nas telas ainda veríamos mais três filmes (o último, verei amanhã).

Eu me interessei por Harry Potter quando as primeiras notícias sobre sua adaptação para o cinema começaram a surgir. Na época, Steven Spielberg era cotado para a direção e Haley Joel Osment para o papel título. Apesar de achar que Spielberg teria feito um bom trabalho, fico muito feliz que Osment não tenha passado de um rumor. Fui atrás então dos livros. No início de 2001, os três primeiros títulos haviam sido lançados por aqui. Li os três sem parar! A edição que tenho de A Pedra Filosofal, como poderão ver nas fotos abaixo, ainda não possuía nem a fonte oficial da marca. E foi paixão à primeira lida. E assim como ocorreu (e ainda ocorre) com muitos jovens, os livros reacenderam a paixão pela leitura em mim. Sempre adorei ler, desde pequeno, onde era um dos poucos alunos que ia na biblioteca e levava livros para casa por livre e espontânea vontade. Infelizmente, no ginásio e no colegial nos obrigam a ler tantos títulos que não condizem com nossa idade e maturidade que muitos ficam traumatizados para sempre com o hábito da leitura. Felizmente para mim, assim que me formei encontrei Harry Potter. Depois dos três primeiros, fui para O Senhor dos Anéis, e desde então não parei mais.

Sobre os livros, preciso destacar algumas coisas. Em primeiro lugar, acredito que os preços por aqui não sejam tão acessíveis, o que certamente atrapalha. No entanto, a qualidade editorial brasileira é de primeiríssima qualidade. Qualquer um que já tenha pego nas mãos uma edição inglesa ou americana em papel jornal e com capa molenga saberá do que estou falando. Nesses países, as edições bacanas são “especiais”. Por aqui, são quase regra. Capas bonitas, alta gramatura, papel de qualidade, aquele cheirinho de novo… Que me perdoem os nostálgicos, mas livro de sebo não é comigo. Eu gosto é de livro novo!

Faltando ainda 6 meses para a versão brasileira de Harry Potter e o Cálice de Fogo ser publicada por aqui, eu não conseguia me aguentar, já que o livro já havia sido publicado no exterior. Foi então que pedi para um tio que estava em Portugal me trazer o livro de lá. Não possuía a mesma qualidade das nossas edições, especialmente no papel e gramatura da capa. Mas oras, era o livro e isso que importava! É um pouco incômodo ler em português de portugal, especialmente pelas expressões, mas transcorreu sem problemas. Uma coisa que gostei muito mais na tradução lusitana é que eles não traduzem nenhum nome próprio. Sendo assim, o pai de Harry Potter é James, e não Thiago… Realmente não gosto das traduções dos nomes próprios, tantos das pessoas, quanto dos lugares e obejtos. Mas enfim…

Em novembro de 2001, dia 23 para ser mais exato, lá estava eu na fila de espera para a primeira sessão de Harry Potter e a Pedra Filosofal, devidamente trajado. Não chegou a ser um cosplay, mas fiz o que pude. Estava todo de preto e com um brasão de Hogwarts colado na camisa, na altura do coração. Foi uma das sessões mais inesquecíveis da minha vida. Eu gosto do público fanático que vai em estréias e pré-estréias do tipo. Porque eles ficam calados e respeitam a sessão, mas também vibram muito quando o filme provoca esse tipo de reação. Ter uma sala inteira de cinema batendo palmas quando a Grifinória é anunciada como a vencedora da Copa das Casas é uma emoção maravilhosa. Naquele momento, todos nós pudemos viver um pouquinho de Hogwarts.

A essa altura eu já tinha também um boneco bem bacana do Harry Potter, que infelizmente não consegui fotografar pra postar aqui por estar guardado em lugar de difícil acesso lá em casa. Tinha também dois álbuns de figurinhas, um das ilustrações inglesas para os livros e outro do primeiro filme, além de um quadro com o brasão de Hogwarts. Pelo mesmo motivo do boneco, não consegui tirar fotos desses.

A quantidade de produtos disponíveis com a marca Harry Potter não tem fim. Dos filmes, minha primeira aquisição foi o VHS do primeiro. Tempos depois adquiri o box com os DVDs dos três primeiros filmes e depois fui comprando (mais ganhando, na verdade) os DVDs conforme eram lançados. Uma coisa que sempre senti falta nesses DVDs eram extras mais aprofundados sobre todo o feitio dos filmes. A lista de extras, apesar de sempre grande, consistia de muitas brincadeiras e vídeos produzidos especialmente para as edições, mas que não se aprofundavam no making of propriamente dito. Não é à toa que meu professor de Efeitos Especiais na faculdade utilizou várias vezes cenas de Harry Potter em suas avaliações. Como os segredos da produção não estavam presentes nos DVDs, não havia como nenhum de nós saber a resposta de antemão.

Não sou profeta, mas não era difícil prever que mais cedo ou mais tarde edições contendo esse conteúdo extra seriam lançadas, por isso sempre aguardei ansiosamente por elas. Não era possível que uma produção tão gigantesca não tivesse todos os seus bastidores registrados. Bom, a maioria aqui já deve saber que essa previsão se concretizou. Comecaram a ser lançadas em 2009 as Ultimate Editions dos filmes da saga, tanto em DVD quanto em Blu-ray. Mas a essa altura, faltavam apenas mais dois filmes a serem lançados no cinema, por isso fiquei na dúvida em adquirir ou não essas edições. Sei que muitos colegas devem ter passado (e ainda passam) por essa dúvida. A minha opção foi de esperar. Somente o tempo dirá se irei me arrepender ou não. É claro que acho que não. Eu acredito que todo o conteúdo dos discos das Ultimate Editions será mantido num futuro box com a saga completa (só pra deixar um palpite, novembro de 2011). Não acredito que os itens colecionáveis que acompanham essas edições estarão presentes nesse eventual box, mas acredito que ele trará novos e caprichados itens. Bom, essa é minha aposta (e esperança).

Decidido a esperar por um box definitivo para ter todo o conteúdo extra e também todos os filmes em Blu-ray, uma grata surpresa veio em 2010: a promoção do Castelo de Hogwarts na Amazon francesa. Assim como muitos aqui, eu fiz a loucura de adquirir a edição. Digo “loucura” porque na época eu não tinha dinheiro para bancar tudo. Felizmente tenho uma família que sempre me apoia. E claro, o preço era muito, muito bom. Difícil (quiçá impossível) seria adquirir o castelo por um preço normal. Era, de fato, uma oportunidade única. A chance de ter uma réplica não apenas de Hogwarts, não apenas da escola em que Harry e seus amigos crescem, mas a chance de ter uma réplica da escola em que eu gostaria de estudar. E mesmo que alguém possa pensar “Louco!”, sei que não estou sozinho nessa. Somente os fãs, os fanáticos mesmo, desses mundos que citei no início do texto (ou outros) podem compreender. Na aquisição do Castelo (trazendo os seis primeiros filmes em Blu-ray), no meu caso quem falou mais alto foi o fã de Harry Potter e não o colecionador de filmes.

Nesse momento estava com os seis primeiros filmes em DVD e Blu-ray. Decidi não comprar As Relíquias da Morte, já que previa a edição definitiva e achava desnecessário comprar duas vezes o mesmo filme em tão curto espaço de tempo. Mas quem disse que o fã dentro de mim permitiu? Há duas semanas comprei o Blu-ray (nacional) de Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1, para poder completar sem problemas a maratona que fiz nos dois últimos finais de semana de todos os filmes da série, em preparação para o último.

Há muitas edições disponíveis dos filmes em todas as partes do mundo. Conheço colecionadores que vão atrás de todas. Há Steelbooks, gift sets, digipaks, isso só falando dos filmes. Como já disse, há todo tipo de produto e item colecionável para quem for fã. A dúvida sobre o que devemos ou não comprar, sobre o que vale ou não a pena, sempre existirá. Eu só sei que é uma grande diversão e um grande prazer viver tudo isso.

Eu sou apaixonado pela saga Harry Potter, em ambas as mídias, e fico feliz em saber que nesse caso, como ocorre com muitas de minhas paixões, não estou sozinho ou faço parte de uma minoria. Estou acompanhado por milhões de fãs em todo o mundo. Fãs que, assim como eu, sonham em visitar o parque temático recentemente aberto na Flórida e se pudessem, claro, realmente viver nesse mundo mágico. Enquanto nenhuma dessas duas coisas for possível, minha coleção me transporta até ele. Basta eu abrir uma página ou apertar um play.

A 1ª edição ainda não trazia a fonte oficial.

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Edições brasileira e portuguesa.

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Edições brasileira e americana.

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VHS do primeiro filme. Atentem para a nota na parte de baixo.

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Ingresso da estréia de A Pedra Filosofal e da segunda vez que assisti. Possuo não apenas os ingressos de todos os filmes da série Harry Potter, mas sim de todos os filmes que vi no cinema desde 1998.

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