E como ficam nossas coleções com a distribuição digital?

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Creio que é uma questão que muitos de nós, colecionadores, já levantou em algum momento, ainda mais com o surgimento de novas tecnologias que permitem assistir a filmes e séries via streaming ou downloads (seja por vias legais ou não) direto no computador ou gravando este conteúdo baixado em pen drives e assistindo-o na TV da sala. Já aconteceu com a música e já acontece com os games também. E por que seria diferente com os filmes, séries e shows? Com essa transição da mídia física para a digital fica a pergunta: O apelo de colecionar continuará o mesmo?

Atrevo-me a dizer que entre os colecionadores e leitores deste site a resposta em sua maioria deverá ser “SIM”. E nem entrarei no mérito de que a falta de um serviço de banda larga de qualidade ainda vai atrasar e muito a popularização da distribuição digital de filmes, músicas e games. Para mim as razões vão além das limitações práticas por assim dizer.

Felipe Fonseca descreveu bem o que motiva muitos de nós, colecionadores, em sua coluna “Por que colecionamos?”. Para quem coleciona o filme muitas vezes torna-se um mero detalhe. Não basta ter apenas determinado título: quem coleciona muitas vezes busca a melhor edição, que nem sempre é fácil de encontrar (ou é importada ou está fora de catálogo, entre outros motivos). Esta busca e, eventualmente, a satisfação de encontrar o filme que tanto procurava – especialmente depois de trocar informações com outros colecionadores e, finalmente, poder compartilhar essa alegria é que faz com que colecionismo continue firme e forte.

Ora, qual é a graça de ter uma pasta escondida lá no computador, notebook, tablet ou HD externo, cheia de filmes, ao alcance de um simples clique do mouse? É prático, sem dúvida, não ocupa espaço físico, não precisa se levantar da cadeira, caminhar até a estante, pegar a caixinha, colocar a mídia no aparelho, sentar-se e esperar o filme começar. Dá para assistir ao filme no tablet ou em qualquer aparelho eletrônico que reproduza vídeos a qualquer hora e em qualquer lugar. Mas, isso é colecionar?

A tendência é que títulos sem conteúdo extra tornem-se regra e não exceção em poucos anos e quem quiser somente o filme para assistir uma única vez acabará migrando para a mídia digital, mas ainda é cedo para decretar a “morte da mídia física”. O colecionador sempre será o maior consumidor da mídia física na forma de edições especiais, com embalagens diferenciadas, extras e outros mimos.

O próprio Jotacê colocou muito bem aqui neste artigo várias razões pelas quais a mídia física não perderá terreno para os downloads tão cedo. E a coluna foi escrita em 2009. Na época já havia quem afirmasse que o Blu-ray era um formato com os dias contados, mas dois anos depois o cenário é bem diferente.

As novas tecnologias estão aí para serem utilizadas, mas enquanto ainda houver uma forma de ter os títulos de que gosto em uma edição caprichada e poder colocá-los enfileirados em minha estante continuarei colecionando e deixando os plásticos protegendo meus boxes da poeira, é claro — afinal, uma coleção tem mais é que ficar em um lugar de honra, para podermos admirá-la sempre que der vontade.

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