Coluna do Fonseca: Brindes e Colecionáveis

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Todo colecionador adora comprar filmes, games, livros, seja o que for, e levar junto alguma espécie de extra, um brinde ou item que valorize ainda mais o produto como colecionável. Isso é prática de quem vende, imagino, desde mais tempo do que qualquer um aqui possa recordar. Aliás, diria que deve ser mais antigo do que qualquer um que está lendo esse texto. Afinal, comercialmente falando, é uma tática muito simples e eficaz de se encorajar a compra de um produto. Até mesmo itens caros (e não necessariamente colecionáveis), como automóveis, trazem os seus “brindes”. E falando de automóveis, eles mesmos trazem um bom exemplo de coisas úteis e outras inúteis que podem ser agregadas a eles. Úteis: ar condicionado, vidro elétrico, direção hidráulica. São itens que podem vir no “pacote” e que, de fato, agregam valor e utilidade ao produto. Inúteis: um bicho de pelúcia. Sério, de que serve um bicho de pelúcia para quem está comprando um carro?

Na nossa área colecionística vemos isso todos os dias. A diferença entre brinde e colecionável, para mim, é bem óbvia. Um brinde é tudo aquilo que não necessariamente tem uma ligação direta com o produto e que, geralmente, não é um bem para ser mantido guardado e/ou tem sua duração limitada, dependendo do uso. Exemplo: camisetas. Camisetas são o exemplo mais comum e frequente que acompanham o que quer que seja. Por mais bacana que seja a camiseta, não pode ser considerado um item colecionável. Ao menos não da maneira que encaro. Mas claro, os comentários estão aqui para ampliarmos o debate. Uma camiseta não tem ligação específica com praticamente nenhuma obra que acompanha. É apenas um item a mais para nos fazer optar pela compra na loja X ao invés na loja Y. E para piorar, poucas são as que valem a pena. Praticamente todas pretas, de material e estampa de baixa qualidade e com tamanho único (geralmente muito pequeno ou muito grande), elas estão destinadas a virar pijama, pano de limpeza ou reserva para quando todas as outras roupas estão sujas. Tenho minha cota desses brindes aqui em casa e aposto que vocês também.

E há uma infinidade de outros exemplos de brindes: canetas, copos, bonés, basicamente tudo no campo da cama, mesa e banho. O melhor brinde que já peguei em uma edição foi a mochila do primeiro box da trilogia (sim) Indiana Jones em DVD aqui no Brasil:

indiana jones mochela bag

Há anos uso essa mochila quase que diariamente. A coitada até já teve que passar por vários remendos na parte de baixo, mas continua firme e forte. Sem dúvida nenhuma foi um brinde extremamente útil e que valeu muito a pena ter adquirido. Aliás, é uma boa dica para alguma empresa que esteja lendo essa coluna. Certamente foi (e tem sido) de muito mais utilidade para mim do que qualquer camiseta meia-boca.

Itens colecionáveis que acompanham uma edição são outra história. É fundamental, nesse caso, que possuam qualidade. Porque é extremamente frustrante você abrir o seu produto e descobrir que o boneco anunciado junto com a edição é digno das “melhores” sacolinhas de brinde de festa de aniversário que se podem comprar na 25 de Março. Nesses casos, o que nós colecionadores buscamos é qualidade e relevância. Até porque, diferente dos brindes, os produtos que acompanham algo colecionável costumam custar mais caro que a edição comum. Logo, não são “brindes” por definição. E quando pagamos, não queremos comprar gato por lebre.

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Cards são uma prática comum e frequente em todo o mundo. São uma ótima saída para um item colecionável, mas quando a impressão e gramatura são de baixa qualidade, só causam decepção. E poderia acrescentar também o design dos mesmos. Não faz sentido pagar por algo que nós mesmos poderíamos fazer de maneira melhor e mais barata.

Para mim, a epítome do item colecionável deve ser algo exclusivo da edição, bem feito, que tenha a ver com o produto e seja de qualidade. DDI material, poderia-se dizer. E se eu quiser ser realmente exigente e, em certa medida, egoísta, diria que quanto menos unidades existirem do item, melhor.

Como disse, é uma prática comercial existente há muito, muito tempo, bem antes da “galáxia muito distante”. Infelizmente, para nós, nem todos os que vendem compreendem totalmente a sua prática. Mas nós colecionadores entendemos muito bem a sua compra. E quando as coisas se alinham da maneira certa, corremos feito zumbis atrás de cérebro em busca dessas preciosidades que, de alguma maneira, conferem algo de único a nossas coleções e, analogamente, a nós mesmos.

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