“Blu-ray: isso é de comer?” parte IV – Morre diabo!

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Faz mais de um ano desde que a terceira parte da série “Blu-ray: isso é de comer” foi publicada. Sinceramente, achei que ficaríamos apenas em uma trilogia, mas as trombetas da destruição continuam a soar. Pois bem, se os profetas do apocalipse ainda não se cansaram de prever o fim do Blu-ray, nós do BJC também não nos cansamos de rebater os “argumentos” desse povo.

PARA RECAPITULAR:

O arauto da vez é o colunista Pat Higgins, do jornal britânico Huffington Post. Em um artigo publicado no dia 12 de julho, intitulado “Blu Ray is Dead”, o autor se utiliza de uma argumentação tão frágil que parece até piada. Vamos à refutação dos trechos mais relevantes do texto:

Blu Ray está morto

Comecemos pelo título do artigo. Se nem o nome do formato que ele diz que está (tempo presente) morto ele sabe escrever direito, não dá pra exigir muito do sujeito, não é?

O ponto exato em que qualquer formato morre é difícil de apontar, pois os fabricantes frequentemente tentarão se utilizar de expedientes no estilo “Um Morto Muito Louco” após vencer o prazo natural de validade. Eles tentarão todos os tipos de truques para persuadir as pessoas a pensar que um dado formato ainda está vivo quando ele deveria estar encolhido em paz no céu dos formatos”

Será mesmo? Eu acho fácil definir quando um formato morre: é quando demanda por ele decai de forma constante, até chegar a um ponto no qual a margem de lucro deixa de ser aproveitável. Com isso, os fabricantes de hardware que suportavam o formato deixam de fazê-lo, até chegar o ponto que a própria mídia deixa de ser fabricada, selando o destino do formato. Foi o que ocorreu com formatos que realmente morreram, como o Laserdisc, o VHS e os disquetes flexíveis. É o que acontece com o Blu-ray? Não é o que as previsões dizem.

Quanto aos truques que ele menciona, falaremos mais sobre isso daqui a pouco.

Vejam, não sou particularmente bom em pesquisa ou em fundamentar meu caso com trivialidades irritantes como fatos ou evidências,

facepalm

Mas de uma coisa eu tenho certeza. Já vi vários formatos de vídeo e jogos deixarem de dominar as prateleiras e se restringirem a um pequeno e triste estande em um canto da HMV local. Nunca, jamais, vi algum deles ensaiar uma ressurgência mais tarde.

Hmm, quer dizer que o termômetro para se saber se um formato é forte ou não é a HMV perto da casa do Pat Higgins? Logo a HMV britânica, que chegou a decretar falência e só foi salva no último minuto pela Hilco?

Bom, para quem prefere se incomodar com fatos e evidências, o DEG (Digital Entertainment Group) informou que no primeiro quadrimestre de 2013, as vendas de Blu-rays foram 28,5% maiores quando comparadas ao mesmo período do ano passado. O DEG também afirma que casas com Blu-ray nos EUA também cresceu, com 3,2 milhões de aparelhos vendidos no mesmo período. Muito bom para um formato morto, não é mesmo?

Então, o que a minha observação incrivelmente científica sobre o cantinho da HMV me levam a concluir? Bem, o canto da loja perto de casa atualmente abriga todos os Blu-rays restantes que costumavam ser apresentados ao lado dos DVDs na loja principal.

Assim, o Blu-ray, como um meio para a distribuição de filmes de longa metragem, está morto.

Lógica perfeita, só que não. A questão é que a HMV, sendo uma cadeia de lojas físicas, não foi capaz de competir com as lojas online. Ou seja, os Blu-rays foram sumindo da HMV onde o colunista faz suas compras justamente porque ninguém comprava lá, mas sim na Amazon UK, Play.com ou até na HMV online.

(O Blu-ray) nunca escapou devidamente da sombra de seu irmão mais velho, o DVD, em grande parte porque, ao contrário do DVD (que representou um grande passo a partir do formato que o precedia) as vantagens apresentadas pelo Blu-ray nunca superaram as desvantagens de se mudar para um formato totalmente novo e esperar que todo o mundo seguisse o exemplo.

Blá, blá, blá, Whiskas sachê. Escutamos essa conversa desde 2008; repeti-la em 2013 é falta de argumento.

Nos últimos anos têm se visto um número de truques à “Um Morto Muito Louco” que eu mencionei no início do artigo. Vi alguns lançamentos suspeitosamente pobres em SD, fazendo a opção pelo BD parecer um salto ainda maior em comparação. Além disso, versões estendidas de títulos populares têm estado cada vez mais disponíveis apenas em Blu-Ray.

Não, esses “truques” não são para enfeitar defunto, mas sim para reafirmar qual é o formato preferido pela indústria. A margem de lucro com Blu-ray é maior do que com DVD, portanto é interessante vender mais BDs do que DVDs. Por isso os extras exclusivos, as versões estendidas exclusivas, luvas, Digibooks, Steelbooks, etc. Isso indica, por incrível que pareça, que quem está “morrendo” é o DVD, não o Blu-ray.

Logo, deu para o Blu-ray por enquanto. Minha HMV local assim falou.

champz


Enquanto isso…

Aproveitando o ensejo, para aqueles que acham que o VoD vai matar o Blu-ray, é preciso saber o quanto estão perdendo de qualidade. Na parte III já fizemos uma comparação na qualidade da imagem, mas agora veremos outro ponto.

O tumblr What Netflix Does mostra diversas mutilações de filmes oferecidos pela Netflix, comparando com o aspecto original. Vejam abaixo apenas um dos inúmeros exemplos postados lá (no caso, o filme O Mundo de Andy, de 1999):

AndyOAR
Aspecto original
AndyNF
Imagem mutilada pela Netflix

Pois bem, além da qualidade inferior de imagem e som, do prazo de validade do conteúdo, ainda é preciso conviver com a mutilação. Por esta simples razão, a mídia física tende sobreviver, nem que seja como mercado de nicho. Cinéfilos e colecionadores sempre preferirão ter seus filmes prediletos disponíveis para serem assistidos na hora que desejarem, com qualidade máxima de áudio e vídeo, extras exclusivos e sem mutilações.

Fora isso, são apenas elucubrações de falsos profetas que não sabem absolutamente nada do que falam.

Link para SteelBooks com PT-BR nas Amazons: