Entrevista com Rafaella Arrais Nunes da Classicline

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A partir de agora o BJC divulgará os lançamentos da Classicline mensalmente e para conhecermos melhor a distribuidora e o atual mercado de DVDs. Conversamos com a Rafaella Arrais, que está fazendo um belo trabalho com a identidade visual dos títulos, mas o bate papo em que a Rafaella fala de seu processo de trabalho será publicada na semana que vem.

Fiquem agora com a esclarecedora entrevista:

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BJC – Nos últimos tempos a Classicline lançou alguns filmes que fogem um pouco do perfil do catálogo de vocês, predominantemente clássicos de Hollywood. Estamos vendo vocês lançarem filmes mais alternativos, como Amores Expressos e Cidade dos Sonhos. Quem faz a curadoria dos filmes que vocês vão lançar e quais os critérios?

Rafaella – Nossa curadoria é feita em grupo: as sugestões vem de nossos colaboradores, parceiros comerciais, e dos nossos clientes – que são ótimos  e nos fazem encontrar muitas pérolas. O primeiro passo para lançar o filme aqui é o interesse do público, e obviamente, verificando a disponibilidade de lançamento dentro das normas de qualidade e legalidade pelas quais nos guiamos. O lançamento de filmes que se tornaram clássicos pela sua representatividade, e não somente pela idade, também é uma necessidade para que consigamos mostrar que, dentro do cinema, existem diversos nichos a serem conhecidos e apreciados: amantes do cinema que às vezes tinham restrição à grandes clássicos podem começar a se interessar por eles ao conhecer o nosso selo, assim como os colecionadores de clássicos também podem passar a conhecer os “novos clássicos”.

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A Classicline é uma idealização do patriarca da família, Maurílio Arrais. Foi ele quem a comandou por muitos anos e sua grande paixão são os musicais. Atualmente, ela é dirigida por seu filho, Alexandre.

Que cuidados são tomados para que os títulos que vocês lançam não sejam lançados por outros também? Apesar de a Classicline ser a única distribuidora nacional especializada em clássicos de Hollywood, às vezes algum título acaba cruzando outros territórios, como foi o caso de Audazes e Malditos, que saiu quase na mesma época por vocês em título individual e pela Versátil em um box da coleção Cinema Faroeste. Outro exemplo é que tanto vocês quanto a Obras-Primas estão lançando filmes do Jerry Lewis. Há algum diálogo entre as distribuidoras para evitar que o mesmo filme saia por empresas diferentes em um mesmo período?

Sim, há algum tempo mantemos contato com nossos colegas de mercado para evitar lançamentos cruzados. Mesmo no caso de Audazes e Malditos, o lançamento aconteceu de jeitos diferentes – individual (nosso) e em box (deles). O diálogo é importante para que consigamos construir um mercado saudável para todos.

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 Falando em Jerry Lewis, vocês tem lançado praticamente um filme por mês dele, criando uma espécie de coleção. Vocês também lançaram com regularidade títulos do John Ford, além de títulos do Woody Allen que eram inéditos por aqui. Há mais nomes reconhecidos em vista? 

Temos lançado vários filmes, inéditos e relançamentos, de Fred Astaire, Bette Davis, Glenn Ford, Kirk Douglas, e também de diretores como Michael Curtis. Alguns títulos já possuem direitos de distribuição no Brasil, então nem sempre conseguimos trazer tudo que queremos. Inéditos clássicos de Woody Allen continuam sendo uma prioridade. Temos alguns masteres para lançamento do Elvis, entretanto não possuímos previsão alguma de lançamento.

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 Uma tendência que se mostrou bem-sucedida recentemente foi o lançamento de coleções temáticas pela Versátil e pela Obras-Primas do Cinema. Há algum plano de vocês lançarem coleções em boxes temáticos que não sejam packs de DVDs já lançados?

Pela pesquisa realizada com vários clientes de filmes clássicos, chegamos a conclusão que a melhor opção no momento são os DVDs isolados.

 Às vezes a Classicline lança títulos com duas capas possíveis (uma no verso da outra), como Amores Expressos e Morrendo de Medo. Quais os critérios para escolher os títulos merecedores deste tratamento?

Lançamos assim quando existe muito material disponível para fazer mais de um modelo de capa que achamos interessante / bonita, o que raramente é o caso. Quando acontece, fazemos isso como um “mimo” para os cliente, que podem decidir qual versão preferem.

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 A Classicline se firmou nos últimos anos pela qualidade gráfica e bom gosto nas artes das capas e estampas dos DVDs. Além do fato louvável de vocês lançarem edições em digipack com alguma regularidade e de vocês incluírem dublagens clássicas em boa parte dos títulos que lançam. Mas uma reclamação dos colecionadores é quase unânime: Porque a Classicline não coloca extras, além de trailers e fotos? Alguns títulos que vocês lançaram já saíram por aqui com extras por outras distribuidoras. Em tempos de pirataria e streaming vocês não consideram os extras um importante diferencial? Há planos de mudar esta política?

Em alguns casos, não conseguimos comprar os direitos de distribuição de extras, mas temos nos esforçado para tentar trazer mais material.  Não temos pretensão de alterar o nosso formato de trabalho este ano, em 2019 virão novidades.

Várias séries dos anos 70, 80 e 90 que fizeram muito sucesso no Brasil estão fora de catálogo há anos. Exemplos: Agente 86, Miami Vice, Magnum, A Gata e o Rato, Missão Impossível. A Classicline pensa em lançar algo neste segmento?

O custo atual de direitos, registros na Ancine não permitem por enquanto novos seriados, possivelmente em 2019.

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Vocês fizeram uma experiência com Blu-ray mas há tempos não lançam nada no formato. Inicialmente tínhamos a impressão que era uma mídia que não “tinha pegado”, mas pelas postagens que acompanhamos na comunidade do BJC, notamos que a maioria dos posts de compras são de Blu-ray e há uma nova geração que está descobrindo o formato. Há algum plano de retomar a produção de filmes nesta mídia?

Eventualmente sim, mas a maioria dos nossos clientes continua preferindo realizar as compras dos DVDs, principalmente pela questão de preço. A Classicline não é uma empresa grande, nosso gasto de lançamento de um título não se dilui na produção de centenas de milhares de mídias como acontece com as grandes distribuidoras no mercado. Nossa produção é bem pequena e as alterações que aconteceram no Dólar nos últimos anos nos acertaram em cheio. Assim, os custos de produção de um Blu-ray acabam se tornando inviáveis diante do retorno de compra. Como vocês mesmo observaram, o BD foi uma mídia que “não pegou” muito por aqui, e isso se deve principalmente ao seu altíssimo custo de produção. Assim, as pequenas distribuidoras acabam sofrendo, e somente as majors conseguem cobrir seus gastos – pois a sua distribuição é multinacional.a-e_poca-a-inocenciaApesar da dominância do formato digital, em 2017, as vendas de CDs e vinis superaram pela primeira vez em anos as receitas do download de música. Vocês conseguem ver este movimento de valorização da mídia física no mercado de DVDs?

Não, e infelizmente, nem os nossos parceiros. Mas observamos que o público colecionador é fiel à mídia física, e por isso continuamos investindo e mantendo a Classicline em funcionamento.

Com um público colecionador tão restrito, vocês já pensaram em tentar uma espécie de pré-venda de títulos através de crowdfunding para viabilizar futuros lançamentos?

Nunca tentamos uma plataforma de Crowdfunding, mas isso não está fora dos nossos planos. É algo que poderemos pensar em fazer, no futuro. Os custos para lançar filmes no Brasil estão cada vez mais caros, e isso pode ser uma ferramenta para trazer os títulos mais queridos para os colecionadores.

A Classicline está presente em alguma rede social?

Sim, estamos no Facebook (https://www.facebook.com/classiclinebrasil/) e temos nosso catálogo e loja disponíveis no endereço www.classicline.com.br

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Lançamentos da Classicline na Saraiva:

https://jotace.me/2LGKLrI

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