Top 10 DVDs recebidos pelo BJC em 2018

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O ano de 2018 foi complicado para nós, colecionadores. A Fnac fechou, a Livraria da Folha fechou e a Cultura e a Saraiva deram uma canseira em seus fornecedores (e em nós, consumidores que compramos produtos e tivemos dificuldade em recebê-los).

E 2018 também foi o ano em que tivemos certeza que o Blu-ray é o nicho do nicho, com várias majors simplesmente cancelando lançamentos no formato. Foi um ano triste para quem, como eu, gosta de filmes em 3D já que as fabricantes pararam de produzir TVs com o recurso e as distribuidoras praticamente pararam de lançar filmes no formato.

Porém, nem tudo são lágrimas. Aqui, no prédio de 10 andares que é a sede do BJC, recebemos muita, mas muita coisa boa lançada por distribuidoras nacionais. A quantidade e qualidade do material lançado faz com que 2018 possa ser considerado um dos melhores anos para os amantes de filmes clássicos e cults principalmente.

Apresentações em Digipaks ou Digistaks, cards, extras, filmes remasterizados e títulos fundamentais na história do cinema foram uma constante, por mais que quem só compre Blu-rays não veja. E, meus amigos, vocês não sabem o que estão perdendo.

Para dar um gostinho do que de melhor chegou ao quartel general do BJC, fiz esta lista com dez ítens. Mas poderia ser 20 ou 30. A Classicline lançou dezenas de títulos consagrados, muitos ganhadores de Oscar. A Studio Classic, sua irmã, não teve tantos lançamentos mas entre eles tem filmes memoráveis (aliás, me cortou o coração deixar A Grande Guerra, do Mario Monicelli fora desta lista).

A CPC-Umes continua representando muito bem o cinema soviético e russo (que provavelmente nunca sairiam por aqui se não fosse por eles). Já a Livraria da Folha veio com 30 clássicos incontestes na sua coleção Grandes Diretores do Cinema, quase todos com curadoria da Versátil.

E, falando na Versátil… o que tem pra falar da Versátil que já não foi falado? Este foi um dos melhores anos de sua existência, com novos – e relevantes – volumes de suas antigas coleções e outras coleções inéditas. Foi MUITO difícil não colocar na lista nenhum volume de Filme Noir, Cinema Faroeste, Cinema Policial, Sci-Fi e Obras-Primas do Terror (cujos últimos números foram um dos melhores de suas respectivas coleções).

E, falando em Obras-Primas… A distribuidora firmou de vez seu nome no mercado com grandes títulos, ótimas apresentações, preocupação com os extras (a coleção Sessão Anos 80 é um trabalho fenomenal pois, além de todas as qualidades citadas, eles tiveram a sensibilidade de correr atrás das dublagens clássicas que tornam os filmes ainda mais nostálgicos) e uma regularidade exemplar. Assim como a Versátil, é uma empresa que tem uma curadoria que faz com que possamos comprar títulos cults de olhos fechados.

E se você é um DVD hater e chegou até aqui… dê mais uma chance ao formato. Eu, como ex-DVD hater garanto que vale a pena repensar alguns conceitos. Ainda mais com o mercado de Blu-ray quase desaparecendo.
Sem mais delongas, a lista.

10. Dersu Uzala, de Akira Kurosawa (1975) – CPC-Umes

Akira Kurosawa é um dos maiores diretores de todos os tempos mas a qualidade de sua obra é tão boa que um excelente título como Dersu Uzala passa meio batido. Não deveria. Ao mesmo tempo épico e centrado em momentos mais íntimos, é um filme lindíssimo visualmente e poético. O único problema é que aparentemente não há uma cópia restaurada e às vezes a imagem oscila um pouco. Mas o filme, que ganhou o Oscar de Filme Estrangeiro, é bom o suficiente para garantir um lugar nesta lista.
Ah, e o Kurosawa é japonês mas o filme foi bancado pela URSS, por isso saiu pela CPC-Umes.

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9. Decisão Amarga, de Alex Segal (Ransom!,1956) – Classicline

Decisão Amarga talvez não estivesse nesta lista se eu não fosse roteirista. É um filme “simples demais” para estar entre os melhores do ano. Porém é justamente esta característica que me chamou a atenção. Assim como 12 Homens e uma Sentença, o filme se passa praticamente todo numa mesma locação. E consegue manter nossa atenção até o fim ao andar em território desconhecido através do raciocínio arriscado do protagonista.
Nos anos 90 ele foi regravado com o nome de O Preço de Um Resgate, com Mel Gibson. Como curiosidade, esta foi a estreia no cinema do nosso querido Leslie Nielsen (Corra que a Polícia Vem Aí), com tom sóbrio e cabelos pretos.

 

8. O Preço de um Prazer, de Robert Mulligan (Love with the Proper Stranger, 1963) – Classicline

Sabe quando você não espera nada de um filme e de repente te surpreende positivamente? O Preço de Um Prazer é um filme que eu nunca tinha ouvido falar e só assisti porque a Classicline enviou para divulgar para o Dia dos Namorados.
Pela capa parece um romance como outros tantos, mas o tema central da produção me pegou de surpresa: aborto. Nos anos 60!
Dirigido com naturalismo por Robert Mulligan, o filme me fez ficar apaixonado pela Natalie Wood que, mesmo fazendo o papel de uma garota pobre, esbanja elegância (mas também o figurino é da Edith Head, a Edna de Os Incríveis).

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7. Fúria Sanguinária, de Raoul Walsh (White Heat, 1949) – Studio Classic

Eu não conhecia a Studio Classics e achava que era mais uma dessas distribuidoras de fundo de quintal. Pois, “de fundo de quintal” sou eu. A Studio Classics é da mesma família que comanda a Classicline e, assim como a irmã, lança bons filmes em ótimas cópias. Fúria Sanguinária é um filme policial que tem dez subgêneros dentro dele. É filme de gangster, de assalto, de prisão, de suspense, noir.. e, o mais difícil: consegue ser todos eles sem se perder no caminho. Fil-ma-ço!

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6. Tabu, de F.W. Murnau (1931) – Livraria da Folha

É engraçado como Tabu não tem nada a ver com os filmes mais conhecidos do diretor alemão F.W. Murnau. Ao contrário de sua obra mais conhecida, Nosferatu, um filme pra lá de sombrio, Tabu é um filme solar. Com seus conflitos e perigos, mas dominado por um romance num local paradisíaco (Bora Bora), o filme teve como diretor de fotografia Robert J. Flaherty do clássico documentário mudo Nanook, o Esquimó, o que também imprime uma pegada meio documental sobre os costumes dos moradores daquele lugar. Murnau tinha uma carreira promissora pela frente mas um acidente há poucos dias de sua estreia fez com que este fosse seu último filme. Além da ótima qualidade de imagem, esta edição tem extras bem interessantes.

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5. Os Sapatinhos Vermelhos, de Michael Powell e Emeric Pressburger (The Red Shoes, 1948) – Livraria da Folha

A Livraria da Folha trouxe praticamente a mesma edição que Criterion lançou lá fora. A mesma restauração e quase todos os extras. Um deles, uma introdução de cinco minutos do diretor Martin Scorsese falando sobre a difícil restauração da película, já valeria a aquisição.
Mas Os Sapatinhos Vermelhos, uma homenagem ao balé e às trupes que produzem entretenimento buscando a perfeição, é lindo e, entre vários pontos altos, tem uma cena antológica de quase vinte minutos mostrando a peça dentro do filme. Não só é o filme mais importante dos 30 que saíram pela coleção Grandes Diretores no Cinema como, para mim, individualmente, é o filme mais importante lançado no Brasil este ano.

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4. Marlene Dietriech dirigida por Josef von Sternberg – Obras-Primas do Cinema

A gente estava acostumado com os filmes da Criterion sendo lançados aqui apenas pela Versátil mas a Obras-Primas do Cinema entrou na brincadeira e quem sai ganhando é a gente, que tem mais chances de ver estes filmes bacanudos saindo por aqui com ótima qualidade de imagem e extras. Além dos boxes temáticos, a OP lança títulos destacando diretores ou atores consagrados (nos moldes de A Arte de, da Versátil, mas aqui os atores e atrizes também levam seus nomes na capa). E, para representar este espírito da distribuidora, escolhi o box Marlene Dietriech, que conta com ótimos filmes deste ícone do Cinema em filmes dirigidos pelo grande Josef von Sternberg. Lá fora a Criterion lançou seis filmes da dupla em uma caixa e por aqui saíram estes quatro. Por enquanto, pelo menos.

Filme
Marrocos (Morocco, 1930)
A Vênus Loira (Blonde Venus, 1932)
O Expresso de Shanghai (Shanghai Express, 1932)
Desonrada (Dishonored, 1931)

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3. Maio de 68 no Cinema, vários diretores – Versátil

Difícil. Muito difícil. Escolher quais títulos da Versátil entrariam foi a tarefa mais complicada desta lista. Como citei acima, praticamente todas as coleções lançadas pela Versátil este ano estiveram entre suas melhores edições. E olha que Obras-Primas do Terror está em seu nono volume e Filme Noir em seu décimo segundo. Sem contar com O Cinema de e A Arte de que trouxeram grandes filmes de grandes diretores como David Lean, Buñuel, Godard e outros menos conhecidos mas tão bons quanto. De qualquer forma, como eu tinha uma escolha a fazer, decidi por dois títulos que, além de filmes de ficção, trouxeram documentários. Este gênero é comumente relegado a segundo plano e trazer grandes documentários dentro destes box temáticos é uma excelente sacada que, espero, seja mais frequente. O box, que foi lançado como exclusivo Fnac/Livraria Cultura, traz filmes de grandes diretores e mais de uma hora de extras.

Filmes
Tudo Vai Bem (Tout Va Bien, 1972), de Jean-Luc Godard
1968 (68, 2008), de Patrick Rotman
Loucuras de uma Primavera (Milou en Mai, 1990), de Louis Malle
O Fundo do Ar É Vermelho (Le Fond de l’Air Est Rouge, 1977), de Chris Marker

2. A Guerra do Vietnã, vários diretores – Versátil

Assim como o box Maio de 68, A Guerra do Vietnã conta com ótimos filmes ficcionais e documentários. Inclusive, como os temas se cruzam, há diretores em comum nos dois boxes. É engraçado pois estou revendo a série Anos Incríveis e ela começa justamente em 1968 e cita com frequência a Guerra do Vietnã.
Não há muito o que dizer desta edição, só que segue o padrão Versátil: grandes filmes (alguns mais conhecidos, outros nem tanto), as melhores imagens possíveis para um DVD, ótimos extras e linda apresentação. E como em 2019 completa 80 anos do início da Segunda Guerra Mundial, espero que eles aproveitem a efeméride e se animem para lançar um novo volume de A Segunda Guerra no Cinema.

Filmes
Os Rapazes da Companhia C (The Boys in Company C, 1978) de Sidney J. Furie
Academia de Heróis (The Odd Angry Shot, 1979), de Tom Jeffrey
Inferno Sem Saída (Go Tell the Spartans, 1978), de Ted Post
Comando de Heróis (The Siege of Firebase Gloria, 1989), de Brian Trenchard-Smith
Longe do Vietnã (Loin du Vietnam, 1968), de Chris Marker, Alain Resnais, Jean-Luc Godard, Claude Lelouch, Agnès Varda, Joris Ivens, William Klein
Querida América: Cartas do Vietnã (Dear America: Letters Home From Vietnam, 1987), De Bill Couturie

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1. A Obra Completa de Jacques Tati (Obras-Primas do Cinema)

Quando comecei esta lista minha única certeza é de que este box do Jacques Tati estaria em primeiro lugar. Ele é basicamente a mesma edição que saiu lá fora pela Criterion Collection. Contém todos os seus (seis) filmes, curtas e muitos extras em seis discos. Além disso, as restaurações estão incríveis. E um diretor tão visual como era o Tati merecia este cuidado. A primeira vez que vi Playtime achei incrível, mas quando vi esta versão remasterizada fiquei impressionado com a quantidade de detalhes que se perdia nas versões anteriores. Além deste clássico-mor que quase levou o diretor à falência, o box traz pelo menos mais dois outros clássicos do Cinema: Meu Tio e As Férias do Sr. Hulot.
Frequentemente chamado de “O Chaplin francês”, Tati era muito consciente desta comparação e por isso mesmo ia muito além deste rótulo. Uma das principais características do diretor era fazer todo o setup de uma piada para depois simplesmente abandoná-la. Às vezes, quando vislumbramos qual o caminho que uma gag “deveria” ter tomado, esta quebra de expectativa pode incomodar. Parece desperdício de uma boa ideia. Mas o Jacques Tati não era o Chaplin. Jacques Tati era Jacques Tati.

Filmes
Carrossel da Esperança (Jour de fête, 1949)
As Férias do Senhor Hulot (Les vacances de Monsieur Hulot, 1953)
Meu Tio (Mon oncle, 1958)
Playtime – Tempo de Diversão (Playtime, 1967)
As Aventuras de Sr. Hulot no Tráfego Louco (Trafic, 1971)
Parada (Parade, 1974)

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