RESENHA DO LEITOR | A Noite dos Mortos-Vivos (Blu-ray)

Confira as informações técnicas da edição lançada pela Versátil!

0
2199

por Pedro HB (originalmente postada no Grupo do BJC no Facebook)

First things first.
Com essa penca de coisas da Versátil chegando, eu já estava “devendo” um review do Blu-ray de A Noite dos Mortos-Vivos há meses. Como comprei em conjunto com Ruas de Fogo, que foi adiado, a Versátil foi gentil em me enviar separadamente (conforme disseram em suas redes sociais que o fariam). Então bora fazer review desse (ou desses) clássico(s).

O meu ainda é a lombada da luva “invertida” e o pôster com uma imagem de baixa resolução. A lombada invertida não me incomoda, mas o pôster realmente está com uma qualidade bem ruim. Preferia um bom livreto no lugar dele. Mas a Versátil já se prontificou a corrigir esses problemas, conforme postagens anteriores.

Meses atrás, quando foi anunciada esta edição, houve uma certa apreensão quanto ao fato de ter dois filmes comprimidos num disco só. Eu cheguei a fazer uma postagem tentando amenizar o receio que muitos de nós tivemos em relação a como ficaria a qualidade. Era um receio, na minha opinião, válido, pois no passado não tivemos uma boa experiência com a Versátil em relação à qualidade da compressão de vídeo com dois filmes espremidos num disco só. Mas aqui era diferente. Tanto a versão de 1968 quanto a de 1990 já tinham masters preparados especificamente para serem usados em BD25. Logo, colocar os dois filmes num BD50 não traria prejuízo algum para a qualidade, pois não precisariam ser recomprimidos. Mas aí veio o Carpenter Essencial, com a compressão desnecessária do O Enigma do Outro Mundo, e os receios (meus principalmente) voltaram à tona. Então veio Os Sete Samurais bem melhor, Dr. Fantástico perfeito, 12 Homens e uma Sentença ótimo (não perfeito, mas longe de ser desastroso, porém já com um “sinal de alerta”). Enfim, tudo pra mostrar que a Versátil ouviu nossa demanda e está atenta com relação à qualidade pois sabe que é assunto que, felizmente, está sendo discutido com mais frequência no nosso grupo do Facebook.

Bom, dito isso, informo-lhes que de fato o que eu “previ” acima de fato aconteceu. Os masters, conforme preparados para seus respectivos BD25 nas edições gringas, foram utilizados devidamente no BD50 da Versátil. PORÉM, ao contrário do que eu imaginei, na versão de 1968 não foi utilizado o mais recente master 4K feito pela Criterion em 2018. Foi usado um master mais antigo que já está em circulação há um bom tempo em edições europeias e asiáticas. Não é um master ruim. Longe disso. É difícil julgar qual é melhor. Eu particularmente prefiro o novo master da Criterion, mas em alguns aspectos, eu gosto de algumas características do master antigo. A boa notícia é que o master que a Versátil optou por utilizar está perfeitamente idêntico em relação à compressão de vídeo das outras edições em que o mesmo foi utilizado (Reino Unido, França e Japão). Tanto é que eu tive “dificuldades” em escolher com qual do caps-a-holic eu utilizaria aqui para comparar. Acabei optando pelo master do Japão.

A outra boa notícia é em relação ao remake de 1990. A Versátil optou por utilizar o novo master da Sony de 2018, em vez do master da extinta Twilight Time lançado em 2012, que foi bastante criticado por conta da drástica alteração da paleta de cores e luminosidade geral (igual relatado neste review).

Para a versão de 1968, conforme BD Info abaixo, na Versátil temos uma taxa de bitrate média de vídeo de 31Mbps, áudio LPCM 2.0 mono em 48kHz/16bit (condizente com a edição japonesa). Na edição da Criterion, temos uma taxa média de vídeo de 36Mbps e áudio LPCM 1.0 Mono 48kHz/24bit. Embora o áudio da Criterion também seja uma restauração nova, eu particularmente não percebi nenhuma melhora tão nítida em relação ao áudio desse master antigo. Tem algumas diferenças sutis só (na minha percepção, pelo menos). E como sempre digo, o fato de ser 16bit ou 24bit não faz diferença audível para nós. Ainda mais se tratando de um áudio gravado 50 anos atrás. Pra quem quiser, tenho um vídeo de um engenheiro de som explicado certinho o que é um áudio 16bit, 24bit e até 8bit, e o que de fato significam.

Informações do filme de 1968

 

Informações do filme de 1990

Conforme os prints que estão no link no final do post, verão que as diferenças do master da Versátil para o master japonês são praticamente nulas. Claro que ambos são bem diferentes do master da Criterion. Embora eu tenha a edição da Criterion, eu utilizei aqui os prints do caps-a-holic pra facilitar um pouco meu trabalho. Caso haja dúvidas sobre se há diferença de qualidade dos prints que eu tiro pros prints do caps, eu tenho um link onde fiz uma comparação e pude demonstrar que não há diferença. Enfim, eu disponibilizei no Drive os prints que fiz da Versátil junto com os prints da edição japonesa e da edição da Criterion.

E tem uma novidade dessa vez! Agora vou passar a postar VÍDEOS comparativos. Isso mesmo. Peguei uma certa intimidade com o TS Muxer e consegui extrair pedaços de vídeos do Blu-ray, sem recomprimir absolutamente nada. Achei que isso, aliado aos prints que por si só já são um tanto esclarecedores, facilitam ainda mais a comparação. Estou colocando vídeos de 1 minuto apenas, sem áudio nenhum, pois ficam um tanto pesados (em torno de 250 megabytes por um minuto de vídeo sem áudio). Coloquei então um minuto de vídeo da edição da Versátil e o mesmo minuto da mesma cena da edição da Criterion. E a decisão de qual é melhor, Versátil ou Criterion, fica a seu critério.

Quanto ao remake de 1990, conforme disse antes, foi utilizado o master da Sony de 2018. Na edição da Versátil temos uma bitrate média de vídeo de 30Mbps, áudio em inglês 5.1 DTS-HD MA a 48kHz/16bit, áudio dublado em Dolby Digital 2.0 a 320kbps. Na edição da Sony temos uma bitrate média de vídeo de 23Mbps e o mesmo áudio original DTS-HD MA 5.1 a 48kHz/24bit. Essa bitrate maior da edição da Versátil não se traduz em melhoria na compressão de vídeo. Como dá pra ver pelos prints do Drive, estão idênticos. Por isso eu digo que compressão de vídeo é uma verdadeira arte. Não necessariamente uma bitrate alta significa uma compressão melhor, bem como uma bitrate mais baixa não significa uma compressão pior. Como no caso aqui não faz diferença alguma, eu não postarei o remux do vídeo da edição de Versátil pois não há do que reclamar aqui. Os prints por si só já mostram que estão idênticos.

Quanto aos extras, na edição de 1968 temos extras que não estão na edição da Criterion. São eles:
– Legado dos mortos (84 min)
– Reflexões sobre os mortos (78 min)
– Aparição do George Romero no Bloor Cinema (15 min)
Os únicos dois extras da Criterion que vieram pra cá são uma entrevista em áudio com o finado ator Duane Jones (17 min), e uma entrevista bem antiga com a atriz Judith Ridley (11 min).
Para a edição de 1990, temos todos os extras da edição da Sony:
– Os mortos caminham (25 min)
– Comentários em áudio do diretor Tom Savini (legendado!)

Concluindo, temos uma edição de respeito aqui. Qualidade de imagem excelentes em relação à compressão de vídeo. Extras excelentes também. Quanto ao master utilizado para a versão de 1968, é debatível. O que importa é que, independente de qual foi escolhido, ele está apresentado aqui com a mesma qualidade de compressão das edições gringas. Idem para o remake de 1990. Isso mostra que as nossas distribuidoras são capazes de atingir o mesmo nível técnico de edições gringas. Isso pra mim é o mais importante. A luva com lombada invertida não me incomoda. O pôster em baixa qualidade sim. Mas tudo será corrigido.

Como sempre, o link do Drive com o pacote completo de informações, prints e vídeos está aqui.

Mais vendidos na Amazon Brasil

CLIQUE AQUI