Dossiê do BJC | Vencedores de Cannes em Mídia Física no Brasil: de 1990 a 1999

Terceira parte do dossiê no ar!

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O Dossiê do Blog do Jotacê com os vencedores do Festival de Cannes chega agora em sua terceira parte, analisando os filmes da década de 90 laureados com Palma de Ouro e lançados em mídia física no Brasil.

Confira as partes anteriores nos links abaixo:

Isso significa que os filmes listados abaixo foram distribuídos antes da popularização do DVD, de forma que eventuais lançamentos nesse formato foram comercializados apenas anos depois de seu lançamento no cinema.

Como curiosidade, iremos listar (sempre que houver registros na internet) o lançamento de VHS dos respectivos filmes no mercado brasileiro. Vale lembrar que o LaserDisc nunca foi oficialmente lançado no Brasil, então não temos nenhuma edição de filmes nesse formato no mercado nacional.

PALMA DE OURO DE 1999: ROSETTA

O ano de 1999 é lembrado pelos cinéfilos como um dos melhores anos do cinema recente, já que teve lançamentos de filmes cultuados até hoje como Matrix, Magnólia, Sexto Sentido, Clube da Luta, De Olhos Bem Fechados, Beleza Americana e diversos outros.

No Festival de Cannes daquele ano, o Júri presidido pelo cineasta canadense David Cronenberg laureou os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne pelo filme Rosetta, desbancando um dos favoritos da imprensa daquela edição, o espanhol Tudo Sobre Minha Mãe de Pedro Almodóvar, que ficou com a Palma de Direção.

Além dos irmãos Dardenne, que viriam a faturar a segunda Palma em 2005 por A Criança, o filme Rosetta garantiu a Palma de Atuação Feminina para sua protagonista, Émilie Dequenne.

No Brasil, o filme passou anos sem dar as caras no mercado de mídia física até que, em abril/2017, a Obras Primas do Cinema apresentou o filme em uma Edição Especial de Colecionar em DVD.

Além de apresentar a versão remasterizada do longa, a edição trazia os seguintes extras: Entrevista especial com Jean-Pierre e Luc Dardenne (60 minutos); Entrevista com os atores Emilie Dequenne e Olivier Gourmet (18 minutos); e Trailer Original (1 minuto). Não bastasse, ainda trazia um card com foto dos bastidores da produção.

Apesar de a edição estar atualmente esgotada na loja online da Obras Primas do Cinema (a Colecione Clássicos), ainda é possível encontrá-la a preços acessíveis no Mercado Livre e em anúncios de revendedores na Amazon e no Submarino.

PALMA DE OURO DE 1998: A ETERNIDADE E UM DIA

A edição do Festival de Cannes de 1998 foi marcada, dentre outras coisas, pela estreia dos dois primeiros filmes do movimento Dogma 95, Festa de Família e Os Idiotas, de Thomas Vinterberg e Lars Von Trier. Além disso, teve uma inusitada sessão de encerramento com o filme Godzilla de Roland Emmerich.

Contudo, Martin Scorsese, presidente do Juri daquele ano, entregou a Palma de Ouro para o cineasta grego Theo Angelopoulos pelo filme A Eternidade e Um Dia.

No Brasil, o filme foi lançado em mídia física pela Versátil Home Video, tanto em VHS quanto em uma Edição de Colecionador em DVD.

Enquanto a Fita continha áudio original Dolby Surround e legendas em nosso idioma, o DVD trazia o áudio original em Dolby Digital, com opções de legendas em Português, Espanhol e Inglês, além de extras como Galeria de Fotos, Biografias, Filmografias e Premiações (painéis estáticos com textos informativos).

Infelizmente, o filme não teve nova autoração ou relançamento desde então, mas seria uma boa oportunidade para a Versátil lançar uma nova edição do filme, quem sabe até mesmo em Blu-ray e completar as três mídias desse clássico.

PALMA DE OURO DE 1997: GOSTO DE CEREJA / A ENGUIA

A Palma de Ouro de 1997 foi dividida entre dois filmes: Gosto de Cereja, do cineasta iraniano Abbas Kiarostami, e A Enguia, do japonês Shohei Imamura.

O primeiro recebeu uma edição em DVD aqui no Brasil pela empresa Cult Filmes em parceria com a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Mais uma vez, os extras eram apenas painéis com textos informativos sobre “Filmografias” e “Prêmios”.

Somente em junho de 2018 o filme recebeu nova edição em DVD aqui no país, dessa vez pela Obras Primas do Cinema, na coleção Abbas Kiarostami.

Além do vencedor da Palma de 1997, a referida coleção trouxe outros três clássicos do diretor: Close-Up (1990), Através das Oliveiras (1994) e O Vento Nos Levará (1999). Os filmes estavam divididos em dois discos DVDs, acondicionados em uma embalagem Digipak. Não bastasse, a edição continha quatro cards e trazia, como extra, uma entrevista com o diretor.

Atualmente, a edição da Cult Filmes e a Coleção da Obras Primas do Cinema estão esgotadas.

Já o segundo filme, A Enguia, recebeu apenas uma edição em VHS pela empresa Cannes Filme e Estação. Ou seja, sem edições em DVD e muito menos em Blu-ray aqui no país.

PALMA DE OURO DE 1996: SEGREDOS E MENTIRAS

Dizem que, no Festival de Cannes de 1996, a maioria do Juri pretendia premiar David Cronenberg com a Palma de Ouro pelo filme Crash – Estranhos Prazeres, mas que o Presidente do Júri daquela edição, o cineasta Francis Ford Coppola teria vetado a premiação por ter detestado o filme. O fato é que Cronenberg ficou com Prêmio Especial do Júri, enquanto a Palma de Ouro foi entregue a Mike Leigh, por Segredos e Mentiras.

No Brasil, o grande vencedor daquele ano foi lançado em VHS pela Videolar Multimídia Ltda. Posteriormente, o filme fez parte da coleção “Videoteca Caras Série Ouro”, tendo sido entregue junto com a revista Caras nº 213 e o fascículo nº 17 da Coleção “O Mundo do Cinema da Série Ouro”.

No ano 2000, o filme foi relançado, desta vez em DVD, pela Versátil Home Video, em formato de tela Letterbox, áudio Dolby Digital e opções de legendas em Português, Inglês e Espanhol. A edição possuía ainda extras, mais uma vez telas estáticas, com informações sobre “Prêmios”, “Curiosidades” e “Filmografias”.

Em 2003, o filme recebeu nova edição em DVD, desta vez pela LW Editora. Na contracapa, uma informação curiosa: o áudio original era 2.0, enquanto a dublagem em português era apresentada em 5.1. A edição acrescentou extras em vídeo, como Entrevistas e Trailer. Contudo, o formato de tela apresentado era Standard 1.33:1, apesar do filme possuir uma razão de aspecto de 1.85:1.

Segredos e Mentiras teve ainda mais uma edição em DVD pela Platina Filmes, mantendo o som 5.1 apenas na versão dublada e a razão de aspecto errada do filme. Ademais, apesar de o filme possuir 142 minutos, a contracapa informa que teria apenas 136. Não conseguimos confirmar se a versão lançada foi cortada ou se a informação está errada.

Apesar de diversas versões lançadas, não se pode dizer que o filme teve uma “versão definitiva” no Brasil. Lá fora, o vencedor da Palma de Ouro de 1996 recebeu uma bela edição em Blu-ray pela Criterion Collection.

PALMA DE OURO DE 1995: UNDERGROUND – MENTIRAS DE GUERRA

Dez anos após receber sua primeira Palma de Ouro pelo filme Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios, o cineasta e músico sérvio Emir Kusturica recebeu novamente o prêmio máximo do Festival de Cannes, em 1995, por Underground – Mentiras de Guerra.

O filme foi lançado em VHS aqui no Brasil pelo Grupo Mundial Filmes, destacando o prêmio em Cannes.

Apenas em janeiro de 2008 o filme ganhou uma edição em DVD pela Lume Filmes. O filme, com seus 170 minutos de duração, foi apresentado em Widescreen, áudio original 2.0 e legendas em Português e Inglês. A edição contava, ainda, com uma entrevista com o diretor.

Vale lembrar que o filme também foi lançado em DVD Duplo pela Magnus Opus, selo da Continental, com “aquela” qualidade característica da empresa.

Todas as edições se encontram esgotadas.

PALMA DE OURO DE 1994: PULP FICTION – TEMPO DE VIOLÊNCIA

Um dos vencedores da Palma de Ouro mais cultuados e conhecidos fora do circuito alternativo é Pulp Fiction – Tempos de Violência de Quentin Tarantino, filme que recebeu o prêmio máximo no Festival de Cannes de 1994 que, naquela edição, contou com Clint Eastwood como Presidente do Júri e Catherine Deneuve como Vice.

O filme recebeu uma edição em VHS legendado pela Abril Video, com a clássica fita verde da distribuidora.

A Disney, pela Buena Vista Home Entertainment, foi responsável pelo lançamento do filme em DVD. Houve duas edições, ambas simples sem nenhum conteúdo extra e em Letterbox 4:3. A primeira apenas com som original em inglês Dolby Digital 5.1 e a segunda com o acréscimo de dublagem em Português em Dolby Sorround 2.0.

Posteriormente, com a venda da Miramax pela Disney para um grupo de investidores, os direitos no Brasil passaram para a Imagem Filmes, que lançou uma nova edição em DVD e o tão aguardado Blu-ray.

A nova edição da Imagem Filmes trouxe diversas melhorias da versão da Disney. O formato de tela foi corrigido para Widescreen 16:9 e áudio foi melhorado, com Inglês DTS-HD Master Audio 5.1 e dublagem em Português Dolby Digital 2.0.

Não bastassem, a edição trouxe diversos extras em SD: Making Of (10 minutos); Cenas Deletadas (25 minutos); “Pulp Fiction: Os Fatos” (30 minutos); Entrevista com o Designer de Produção e com a Decoradora de Cenário (6 minutos); A Palma de Ouro – Festival de Cannes, 1994 (5 minutos); “Charlie Rose Show” – Entrevista com Quentin Tarantino (56 minutos); Programa “Siskel & Ebert” – “A Geração Tarantino” (16 minutos); e Michael Moore Entrevista a Equipe no Independent Spirit Award (12 minutos).

Vale lembrar que o Blu-ray nacional recebeu uma resenha aqui no Blog do Jotacê.

A mesma edição da Imagem Filmes, tanto em DVD quanto em Blu-ray, esteve presente nas duas coleções do diretor lançados pela empresa, a primeira acompanhada de Jackie Brown e os dois volumes de Kill Bill e a segunda com a inclusão de Os Oito Odiados no lugar de Jackie Brown.

Com a venda da Miramax em 2020 para a ViacomCBS, empresa responsável pela Paramount, existe a expectativa de novas edições, inclusive de eventual remasterização em 4K. Resta aguardar.

PALMA DE OURO DE 1993: ADEUS, MINHA CONCUBINA / O PIANO

A edição de 1993 do Festival de Cannes foi histórica por laurear pela primeira vez uma mulher com a Palma de Ouro: Jane Campion, pelo filme O Piano. Contudo, o prêmio máximo foi dividido com o diretor chinês Chen Kaige, pelo filme Adeus, Minha Concumbina.

Na época das fitas de videocassete, os filmes dividiram também espaço na Coleção Videoteca Folha, lançada pelo periódico paulista no ano de 1997 (e que chegou a outros Estados juntamente com respectivos jornais locais).

A fita de O Piano acompanhou o jornal dominical do dia 08.06.1997 e a Revista-Pôster nº 3 da coleção. Já Adeus, Minha Concumbina acompanhou o periódico de 17.08.1997 e a Revista-Pôster nº 13.

Vale lembrar que O Piano já havia recebido uma edição em VHS pela Paris Filmes.

O filme de Campion foi comercializado em DVD no Brasil pela distribuidora NBO Entertainment. Foram três edições com capas distintas, mas com o mesmo conteúdo: Formato de Tela Letterbox 4:3, áudio em Inglês 2.0 e dois extras: “Biografias” e “Sinopses”.

Foram anos de espera para que o filme tivesse uma edição à altura. Em agosto de 2021, a Versátil Home Video, em parceria com a Supo Mungam Films, apresentou a Edição Definitiva Limitada de O Piano. O filme foi apresentado em sua inédita versão restaurada em um disco Blu-ray, formato de tela Widescreen anamórfico 1.85:1 e duas opções de áudio: Inglês DTS HD Master Audio 5.1 e Inglês LPCM 2.0.

Não bastasse, a edição acompanhava um disco DVD com quase duas horas de vídeos extras: Especiais sobre o filme (91 minutos); Joyce Pais fala da carreira de Jane Campion (20 minutos); e Trailer de Cinema (2 minutos). Com luva reforçada, a coleção contava ainda com pôster, dois cards e livreto.

Essa bela edição, cujos detalhes podem ser conferidos no vídeo publicado no Canal do YouTube do Blog do Jotacê, ainda está à venda na loja online da Versátil.

Por sua vez, Adeus, Minha Concumbina não chegou a receber uma edição tão caprichada no Brasil.

A Editora Europa lançou o filme em DVD junto com a Edição nº 12 da Revista do DVD. O filme foi apresentado em Widescreen 1.85:1, áudio 2.0 e extras: Galeria de Fotos; Galeria de Talentos, Ficha Técnica e Elenco.

Posteriormente, recebeu uma edição em DVD pela Spectre Nova, mas desta vez com Formato de Tela Fullscreen e os seguintes extras: “Biografias” e “Sinopses”.

Ainda, recebeu um DVD pela Magnus Opus, selo da Continental. A informação da capa seria de que o filme estaria em Widescreen 2.35:1, apesar de, segundo o IMDB, o filme ter sido rodado em 1.85:1.

Esperamos que um dia a obra receba uma edição que ao menos chegue perto da qualidade do Blu-ray de O Piano lançado pela Versátil e a Supo Mungam Films.

PALMA DE OURO DE 1992: AS MELHORES INTENÇÕES

O cineasta dinamarquês Bille August recebeu a Palma de Ouro de 1992 pelo filme As Melhores Intenções, superando candidatos como Instinto Selvagem de Paul Verhoeven, O Jogador de Robert Altman e Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer de David Lynch,

Filmado a partir do roteiro semiautobiográfico de Ingmar Bergman, As Melhores Intenções foi lançado em home vídeo no Brasil pela Europa Filmes em uma fita VHS azul, em uma versão de 155 minutos.

Posteriormente foi lançado em DVD pela New Way Filmes em sua versão integral de 173 minutos, formato Widescreen 16:9, áudio Dolby Digital 2.0.

O filme não teve nenhuma outra edição aqui no Brasil. Nos Estados Unidos, o filme foi lançado em Blu-ray pela Film Moviment Classics, sendo esta a única edição no mundo em alta definição.

PALMA DE OURO DE 1991: BARTON FINK – DELÍRIOS DE HOLLYWOOD

Em 1991, a Palma de Ouro foi entregue para a dupla de cineastas Joel e Ethan Coen pelo filme Barton Fink – Delírios de Hollywood.

O filme foi lançado em fita de videocassete no Brasil pela Abril Video.

Em 2004, a Universal lançou o filme em DVD, em formato Widescreen Anamórfico, áudio em Inglês 2.0 Dolby Digital e Português 2.0 Dolby Surround, além dos extras “Galeria de Fotos” e “Cenas Excluídas” com legendas em português.

Posteriormente, o longa recebeu uma nova edição em DVD, desta vez pela FlashStar. O filme também foi apresentado em formato Widescreen e opções de áudio em Inglês e Português 2.0. Contudo, nesta versão, havia um único extra, o trailer do filme.

Infelizmente, o vencedor da Palma de Ouro de 1991 não recebeu uma edição em alta definição no Brasil, apesar de ter sido lançado na Inglaterra pela Universal numa edição em Blu-ray com legendas e dublagem em nosso idioma.

PALMA DE OURO DE 1990: CORAÇÃO SELVAGEM

O cineasta David Lynch foi o grande vencedor da Edição de 1990 do Festival de Cannes pelo seu filme Coração Selvagem, estrelaldo por Laura Dern e Nicolas Cage.

O filme, que superou candidatos como Jean-Luc Godard (Nouvelle Vague), Clint Eastwood (Coração de Caçador) e Ken Loach (Agenda Secreta), recebeu uma edição em VHS pela Trans Video.

Em DVD, o filme foi lançado no país pela Universal, em formato Widescreen Anamórfico, áudio em Inglês 5.1 e Português 2.0, ambos em Dolby Digital, com 120 minutos de duração.

Posteriormente, em 2006, a Universal lançou uma Edição de Colecionador em DVD, desta vez com conteúdo extra: Amor, morte, Elvis & Oz: O Making of de Coração Selvagem; O almoço do Dell; – Espontaneidade específica: David Lynch em destaque; David Lynch em DVD; Mini documentário original; Galeria do Sailor e da Lula; Spots de TV; e Trailer de Cinema. Além disso, o longa estava em sua versão de 125 minutos.

A Universal lançou em março de 2011 uma edição em Blu-ray, com o filme em formato Widescreen Anamórfico 1.35:1, áudio Inglês DTS-HD Master Audio e Português LT/RTDTS 2.0, também com a versão de 125 minutos. Contudo, o lançamento em alta definição não acompanhou os extras que estavam na Edição Especial em DVD.

A Edição Especial em DVD ainda é possível de ser encontrada em lojas online, mas o Blu-ray se encontra esgotado.