Dossiê do BJC | Uma breve história da mídia física e seus formatos

Contato imediato com a história do entretenimento doméstico!

0
2230

Quando hoje olhamos nossas coleções com DVDs, Blu-rays e até 4K UltraHD nem sempre nos damos conta de que o chamado “Home Entertainment”, isto é, o entretenimento caseiro existe desde o início do século 20. Já nos anos 1930 era possível ter filmes projetados em casa e este tipo de diversão cresceu muito a partir dos anos 1960 com o advento de formatos mais baratos.

Apresentamos aqui uma breve história da mídia física percorrendo os diversos formatos que já foram comercializados e que transformaram esta indústria ao longo dos anos desde a época do filme até o advento do DVD que ampliou exponencialmente o lançamento de filmes e séries em mídia física.

A era do filme

A película foi o suporte para a reprodução de filmes por muitas décadas desde a invenção do cinema no final do século XIX.

A primeira película que foi desenvolvida com o objetivo de dar acesso a filmes para o mercado amador e doméstico foi o 16mm criado pela Kodak em 1923.

Anos depois, em 1932, a Kodak introduziu o “Cine Kodak Eight” que passou a ser chamado simplesmente de filme 8mm. Criado a partir do 16mm com uma dupla perfuração, seu objetivo era ter uma alternativa mais barata e portátil para o mercado amador e doméstico.

O formato tornou-se um sucesso quase imediato levando muitas famílias a adquirirem câmeras e projetores para registrar seu dia a dia em filmes caseiros embora o formato mantivesse algumas características que dificultavam seu uso pelo cineasta ocasional ou inexperiente.

Comparação filme Super 8 e 8mm

 Em 1965 a Kodak lançou o filme Super 8 que substituiu quase que completamente o 8mm tradicional. Sua estrutura em cartucho e sua menor perfuração permitia uma maior área para o filme o que melhorava a qualidade dos filmes gravados neste formato.

As películas de 35mm ficaram praticamente restritas à distribuição comercial em cinemas não apenas pelo seu maior custo de reprodução e pelos equipamentos de projeção, mas também pela proibição direta dos estúdios para que não fossem vendidas para o ambiente doméstico, numa tentativa de coibir ações de distribuidores piratas do conteúdo do cinema.

Desde o início dos anos 30 surgiram empresas que distribuíam filmes em 16mm ou 8mm. Os acordos com os estúdios permitiam a venda destes filmes para ambientes domésticos, bibliotecas (que também emprestavam os filmes para serem exibidos em casa), para as escolas e ainda para pequenas prefeituras que exibiam os filmes nas praças de suas cidades que não possuíam cinemas.

O player dedicado da época

 Os filmes eram reproduzidos inicialmente em preto e branco e sem som, mas com o passar dos anos foram colocados a disposição filmes em cores e com áudio.

Distribuidoras como a Castle Films tinham um grande catálogo de animações através de acordos com pequenos e grandes estúdios, como a Universal, que acabou comprando a empresa no final dos anos 40. Suas principais animações eram dos estúdios Lantz, Terrytoons e Ub lwerks.

Anúncio da Castle Films

 A Hollywood Film Enterprises foi outra pequena distribuidora que conseguiu um acordo de exclusividade com a Walt Disney e distribuiu versões de seus filmes até 1950.

Filmes da Disney distribuídos pela Hollywood Film Enterprise

Outra empresa que foi bem-sucedida neste mercado foi a Exclusive Movies que, já nos anos 30, distribuía curtas metragens para exibição residencial das animações do estúdio Fleischer Cartoons que incluíam Betty Boop e Popeye, além de uma série de filmes mudos incluindo os de Krazy Kat e alguns “stop motion” bem raros feitos nos anos 20.

O mercado de distribuição com película continuou sendo importante até o início dos anos 80 com a introdução de novas tecnologias, como o videocassete, e que levaram a seu desaparecimento quase que completo.

Os grandes blockbusters dos anos 70 e 80 foram, na sua maioria, disponibilizados em Super 8. O caso de Star Wars é bastante emblemático pois viu uma pequena empresa chamada Ken Films fazer um acordo com o Fox para distribuir o filme em Super 8 em versões preto e branco mudo, colorido mudo e colorido com áudio.

Star Wars pela Ken Films

 Como a distribuição era feita em carreteis de 200pés, tinha um total de 7 minutos e meio que incluía a conversa entre Luke e Obi Wan Kenobi, passando para a fuga da Estrela da Morte e todo o segmento da batalha entre a Millennium Falcon e os TIE Fighters.

Video sobre a Edição Star Wars da Ken Films

 Logicamente era uma pequena parte do filme, mas que deu a Ken Films um grande volume de vendas já que não havia alternativas na época para exibição residencial.

Também foi irônico o fato de que eles fizeram a distribuição na Inglaterra antes do lançamento do filme nos cinemas. Embora hoje seja comum termos diversos trailers e videoclips exibidos pela internet vários meses antes do lançamento de um filme, na época foi uma sensação quase mágica conseguir ver cenas do filme, em casa, antes mesmo de seu lançamento.

Quando a Ken Films percebeu que tinha um verdadeiro blockbuster em suas mãos decidiu lançar duas novas versões agora com carreteis de 400pés o que permitiu apresentar quase 19 minutos do filme. Isso ainda foi mais aprimorado com a apresentação em formato Widescreen Anamórfico, dando aos colecionadores a possibilidade de assistir uma parte de Star Wars em Cinemascope, em casa, em um formato que só foi disponibilizado na sua totalidade no final dos anos 80 com uma edição em Laserdisc que custava quase 300 dólares ou no início dos anos 90 quando foi lançada a versão em VHS.

O mesmo tipo de lançamento ainda foi feito para o Império Contra-Ataca com quase 34 minutos do filme distribuídos em dois carreteis de 400pés. Quando o Retorno do Jedi foi lançado, o uso do Super 8 em residências já tinha diminuído significativamente. No entanto, uma empresa em Los Angeles lançou uma edição com 3 carreteis de 400pés e quase 50 minutos do filme.

Em 1989 uma empresa inglesa chamada Derann Films Service conseguiu um acordo com a Fox e lançou Star Wars em Super 8 na sua totalidade (4x600pés) e em formato Widescreen Anamórfico. Posteriormente acabou lançando também uma edição completa do Retorno do Jedi. As duas edições utilizaram negativos originais para a reprodução o que resultou em cópias com excelente nitidez e cores bem saturadas. O Império Contra-Ataca foi lançado também na Inglaterra pela Classic Home Cinema embora o resultado final não tivesse o mesmo nível de qualidade das edições da Derann devido a problemas nos negativos utilizados na reprodução.

Na época em que foram lançadas, estas edições completas custavam cerca de 300 libras o que hoje seria equivalente a mais de 2000 libras (aproximadamente R$13.000,00). Ou seja, estamos falando de um valor bastante alto, mesmo para o mercado atual, e ainda assim foram vendidas centenas ou até milhares de edições completas de Star Wars.

Até o início dos anos 1990 este mercado de distribuição em filme seguia forte já que as tecnologias ainda sofriam de problemas que não se observava numa boa projeção em película, tais como artefatos na imagem, ruídos vindos da fita, interferência nas cores e ajustes necessários para o tracking da fita.

Fotos da Edição de Contatos Imediatos em Super 8

 Tudo isso mudou com o advento do VHS e do DVD que basicamente tornou toda esta estrutura de distribuição por película obsoleta. Ainda assim, até hoje, muitas empresas fazem distribuição de películas em formato 16mm ou Super 8 incluindo trailers de lançamentos que são oferecidos apenas para colecionadores.  

A hora das fitas

Lançado em 1971 o sistema U-matic foi o primeiro gravador de videocassete projetado para uso comercial e profissional e orientado à produção de programas de televisão. Sua estrutura era muito cara e não podia ser utilizada no ambiente residencial.

Os primeiros sistemas de videocassete residenciais foram o Philips N1500 lançado em 1972 seguidos do Sony Betamax em 1975. Logo após veio o seu maior concorrente, o sistema VHS criado pela JVC e posteriormente o Vídeo 2000 da própria Philips.

Além destes sistemas foram lançados equipamentos da Avco Cartrivision, da Sanyo V-Cord e da Matsushita Great Time Machine que tiveram pouca adesão e rapidamente desapareceram.

A história deste embate entre as tecnologias está recheada de disputas entre os fabricantes para ver quem leva a melhor no mercado do “Home Video”.

A Sony inicialmente estava aliada à Matsushita e no final de 1974 e início de 1975 frequentemente se reuniam para discutir a entrada no mercado de home vídeo já que haviam cooperado anteriormente no desenvolvimento do sistema U-Matic. Sony já havia apresentado à equipe de engenharia da Matsushita seu protótipo do Betamax e não tinha informações sobre o que a JVC estava desenvolvendo. Numa das últimas reuniões feitas pelas empresas, a Matsushita levou a equipe da JVC e mostrou à Sony um protótipo do VHS recomendando que eles se juntassem à esta iniciativa “para o bem do mercado”. No entanto Sony achava que já estava muito próxima do lançamento de seu produto Betamax e que não poderia desistir de seu desenvolvimento.

Os fatores predominantes nesta disputa entre Betamax e VHS foram o custo dos gravadores e o tempo máximo de gravação.

Betamax tinha uma pequena vantagem em relação a qualidade, quando comparado ao VHS, devido a uma maior resolução na imagem (250 linhas x 240 linhas) além de um áudio superior e uma imagem com maior estabilidade e menor interferência ou ruído. Seus equipamentos também tinham uma qualidade de construção superior aos do VHS já que no início apenas a Sony fabricava Betamax. Esta diferença, no entanto, não era percebida de forma contundente pelos consumidores e o preço muito superior acabou sendo um grande problema para a Sony.

Por outro lado, desde o seu lançamento, a JVC licenciou o VHS para diversos fabricantes incluindo inicialmente RCA, Magnavox, Zenith, Quasar, Mitsubishi, Panasonic, Hitachi, Sharp além da própria JVC. Esta disputa entre fabricantes levou a uma queda nos preços dos equipamentos, facilitando sua disseminação nos mercados americanos e europeus.

A Sony aceitou licenciar o Betamax somente depois de 5 anos do seu lançamento pois acreditava que sua qualidade superior de fabricação seria um diferencial para os clientes. A realidade era que os clientes queriam preços mais baixos e no início dos anos 80 Toshiba e Sanyo passaram a fabricar videocassetes Betamax.

Na disputa pela duração das fitas o VHS começou com 120 minutos enquanto a Betamax só atingia 60 minutos. Sony era relutante em diminuir a qualidade de sua gravação para permitir maiores durações, mas a chegada de novos gravadores de VHS da RCA que permitiam até 240 minutos acabou por pressionar ainda mais o mercado para uma solução de maior duração.

Fotos da Edição de Contatos Imediatos em VHS

 Sony introduziu seu Beta-III que conseguia atingir 5 horas usando uma menor velocidade de gravação e fitas L-830 bem mais finas que as convencionais. Ampliando esta disputa, JVC lançou gravadores com 10 horas de duração em fitas SLP/EP embora admitindo uma maior degradação da imagem devido a interferências e ruídos no sinal de vídeo.

Um outro formato que tentou se juntar nesta disputa foi o V2000, também chamado de Vídeo 2000, e que foi lançado pela Philips e a Grundig. Embora tenha tido maior presença na Europa, o fato de ser lançado muito tarde devido a um longo ciclo de desenvolvimento, não convenceu os consumidores a adotarem o formato em larga escala mesmo tendo características por vezes superiores, mas que no final ficaram limitadas aos gravadores mais sofisticados. Seus primeiros equipamentos foram apresentados ao mercado em 1979 apenas na Europa, África do Sul e curiosamente na Argentina.

Muitas das melhorias apresentadas no formato V2000 acabaram sendo incorporadas no Betamax e no VHS e aliado à sua baixa adesão pelos consumidores o formato foi descontinuado em 1985, se tornando a primeira baixa da guerra de formatos de videocassete.

Equipamento V2000 da Philips

 Mesmo tendo lançado o Betamax antes e conquistado a totalidade do mercado em 1975, os preços mais baixos e o maior tempo de gravação das fitas VHS acabaram mudando este cenário. Por volta de 1980 o VHS já era o formato dominante nos EUA com mais de 60% de market share. As vendas de Betamax por sua vez só correspondiam a 25% do total no mesmo período. Os grandes estúdios e locadoras acabaram por se afastar do Betamax aumentando ainda mais a força do VHS no mercado.

Na Inglaterra o sistema Betamax caiu de 25% para 7,5% de participação em 1986 e apenas no Japão teve um pouco mais de sucesso nas vendas embora ainda em segunda posição. Por volta de 1987 o VHS já representava 90% do mercado americano e a revista Videofax declarou que a guerra de formatos havia sido vencida pelo VHS. O Betamax poderia ser considerado um formato praticamente morto e além disso a Sony havia decidido incluir videocassetes VHS na sua linha de produtos.

Os últimos gravadores Betamax foram produzidos pela Sony em 2002 e mesmo com o forte crescimento do DVD, os videocassetes ainda foram fabricados pela JVC até o ano de 2008 em modelos que combinavam DVD e VHS.

Embora tenha perdido a disputa para o mercado residencial a Sony continuou desenvolvendo sua linha profissional com o sistema Betacam, um sucessor direto do Betamax, e que se tornou o padrão na indústria do vídeo profissional para gravação, produção e transmissão de material televisivo.

O videocassete provocou a verdadeira revolução do “Home Video” permitindo o acesso a filmes e shows diretamente nas residências e com um custo muito baixo. As videolocadoras se alastraram por todas as partes e o hábito de alugar filmes em fita de vídeo esteve presente por mais de 20 anos.

Os grandes estúdios abraçaram o Home Vídeo como uma fonte de receita significativa e com isso disponibilizaram seus filmes em todos os formatos possíveis. Eram comuns os lançamentos dos blockbusters em VHS, Betamax, V2000 e em alguns casos até em Super 8 como vimos anteriormente.

Sempre se fala que a definição do vencedor da guerra entre VHS e Betamax veio da indústria dos filmes adultos. O elevado número de produções aliada a facilidade na distribuição e com um baixo custo dos videocassetes foram fatores que ampliaram a presença do VHS. De repente ficou muito fácil ter acesso a este tipo de conteúdo para ser consumido em casa. Pode até não ter sido este o fator determinante na guerra dos formatos, mas certamente teve impactos no crescimento das vendas destes equipamentos.

Os últimos filmes a serem lançados em VHS foram Marcas da Violência (David Cronenberg) e Eragon (Stefen Fangmeier) em 2007, mas existiram ações de lançamentos pontuais como no caso de A Casa do Diabo lançado em VHS em 2010 como um exclusivo da Amazon numa tentativa de imitar os filmes de terror da década de 80 e também outro filme de terror V/H/S/2 que foi lançado em 2013 nos EUA numa edição que incluía uma fita em VHS, além do Blu-ray e DVD.

Edição com Blu-ray, DVD e VHS lançada em 2013

No Brasil o VHS dominou o mercado totalmente. E esta história está muito bem contada no documentário Cinemagia e que possui uma fantástica edição lançada pela Relevant e FAMDVD.

O Betamax também esteve presente no Brasil com lançamentos de filmes para locação. A Globofilmes utilizou este formato em alguns dos seus lançamentos como é o caso do Menino do Engenho.

Fotos da Edição de O Menino do Engenho em BETAMAX

A transição do analógico

O mercado de home vídeo foi dominado por mais de duas décadas pelos gravadores de videocassete, mas suas limitações no controle do vídeo e na qualidade da imagem mantiveram os fabricantes ocupados no desenvolvimento de alternativas que pudessem suplantar o VHS.

A tecnologia do disco óptico usando substrato transparente, foi desenvolvida inicialmente por David Paul Gregg em 1958 sendo melhorada pela Philips que em 1969 quando apresentou o disco óptico de substrato refletivo, o qual trazia grandes vantagens em relação ao substrato transparente.

Em 1972 a MCA e a Philips decidiram unir as forças e fizeram a primeira demonstração pública do disco óptico de vídeo. O Laserdisc teve sua estreia comercial em 1978, apenas dois anos após o VHS e quase quatro anos antes do primeiro CD que por sua vez utiliza como base a mesma tecnologia desenvolvida para o Laserdisc.

Video das instruções de uso do DiscoVision

 A MCA DiscoVision era uma divisão da MCA que foi criada em 1969 para desenvolver e vender o sistema de Videodisco. A MCA DiscoVision tinha acordos de distribuição com os principais estúdios entre os quais Universal Pictures, Paramount Pictures, Warner Bros. e Disney, além de ter entrado em acordo com a Columbia Pictures e a United Artists, mas sem nunca ter lançado edições destas empresas.

A sucessora da MCA DiscoVision foi a DiscoVision Associates (DVA) que resultou de uma parceria entre a IBM e a MCA. O objetivo era melhorar o processo de fabricação, mas não houve muito sucesso nesta empreitada. Em 1981 a responsabilidade pela comercialização dos Videodiscos foi vendida para a Pioneer.

DiscoVision Associates posteriormente evoluiu para uma empresa detentora de patentes relacionados a LaserDisc, Compact Disc e tecnologias associadas a discos óticos além de outras patentes não relacionadas a mídia física. Em 1989 a Pioneer acabou comprando a DVA e a manteve como uma subsidiária para a venda de patentes. Toda esta movimentação da Pioneer explica o seu protagonismo no mercado de Laserdisc onde além de fabricar os equipamentos também tinha uma planta no Japão dedicada à prensagem dos discos.

O primeiro título à venda nos Estados Unidos foi Tubarão de Steven Spielberg, lançado em 1978 com a distribuição da MCA DiscoVision. A parceria das empresas tinha a Philips como fabricante dos reprodutores e a MCA, produtora e distribuidora dos discos, e acabou não durando muito.

Embora tivessem uma qualidade superior ao VHS a adoção do Laserdisc foi muito limitada como podemos ver nos dados do final da década de 1990 onde o Laserdisc estava presente em apenas 2% dos lares norte-americanos e em menos de 10% das residências japonesas chegando a aproximadamente 3,6 milhões de aparelhos vendidos no Japão. Sua principal barreira eram os altos preços dos equipamentos e dos próprios discos além do fato de não poder fazer gravações de programas televisivos como no VHS.

Na Europa e principalmente no Brasil, onde nunca houve distribuição oficial, o LD sempre foi uma tecnologia de nicho e importada apenas por entusiastas.

Fotos da Edição em Laserdisc de Contatos Imediatos do 3º. Grau

 Com trinta centímetros de diâmetro o Laserdisc era um tanto desajeitado, difícil de manusear e bem menos robusto que uma fita VHS. Ainda por causa de seu tamanho avantajado necessitava de reprodutores com motores potentes o que trazia ruídos à sua reprodução. O Laserdisc nunca competiu diretamente com o VHS e por ser um formato Premium, conviveu ao lado dos videocassetes por mais de duas décadas.

Apesar da leitura do disco ser feita por um laser, os Laserdiscs não eram gravados digitalmente como são os DVDs ou Blu-rays. O sinal de vídeo era codificado analogicamente numa modulação de frequência (FM). Tanto o sinal de vídeo quanto o áudio eram gravados desta forma e com a evolução do formato foi possível incluir sinal digital de áudio, primeiramente através de conexão RF AC-3 e posteriormente diretamente nos canais para DTS ou Dolby Digital.

Outro aspecto relevante no Laserdisc era a velocidade de rotação do disco. Havia três tipos de Laserdisc em função da velocidade do disco: CAV (Constant Angular Velocity – Velocidade Angular Constante), CLV (Constant Linear Velocity – Velocidade Linear Constante) e o CAA (Constant Angular Acceleration – Aceleração Angular Constante).

O CAV era o que apresentava maior qualidade permitindo o congelamento perfeito da imagem ou câmera-lenta de passo invertível e variável, mas com isso a capacidade de um lado do disco estava limitada a 30 minutos ou 60 minutos nos dois lados. Isso exigia que um filme fosse colocado em pelo menos dois discos o que era um inconveniente para os consumidores.

Com o uso do CLV foi possível ampliar a capacidade do disco para 60 minutos para cada lado o que permitia colocar um filme em um único disco. Perdia-se, no entanto, as funções de congelamento perfeito e da câmera lenta. O CAA representava uma melhoria sutil em relação ao CLV e não foi muito adotado no mercado.

A necessidade de colocação do filme em múltiplos discos aliado a disponibilidade de quatro canais permitiu incluir conteúdos adicionais como comentários em áudio, documentários e making-of tornando as edições especialmente atraentes para os colecionadores.

Fotos da Edição Limitada em Laserdisc de T2

 No total foram lançadas mais de 61.000 edições em Laserdisc sendo quase 28.000 no Japão e pouco menos de 20.000 nos EUA. Os últimos títulos lançados foram A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça de Tim Burton e Vivendo no Limite de Martin Scorsese em 2000. No Japão os lançamentos se estenderam até 2001 e seu último título foi o filme asiático Tokyo Raiders. Os leitores de Laserdisc, no entanto, continuaram a ser produzidos pela Pioneer até 2009.

O mercado japonês também viu o lançamento dos discos Muse Hi-Vision LD que foram desenvolvidos para o sistema de alta definição japonês e exigia equipamentos específicos além de uma TV Hi-Vision. Foram lançados pouco mais de 160 títulos não tendo muito sucesso dentro e fora do Japão por falta de interesse dos fabricantes e estúdios.

Outras tecnologias também tentaram competir neste mercado especialmente o CED e o VHD.

Desenvolvido pela RCA nos anos 60, o CED (Capacitance Electronic Disc – Disco Eletrônico de Capacitância) era um parente direto dos LPs de vinil que gravavam a informação em sulcos de alta densidade e eram tocados usando uma agulha especial. Após uma série de erros de planejamento o produto foi lançado em 1981 e já chegou numa condição difícil pois era comparado diretamente com os Laserdisc.

Por ter uma tecnologia de leitura por contato a vida útil dos discos era limitada. Fala-se em no máximo 500 reproduções de um disco após o qual a degradação poderia afetar definitivamente a qualidade da imagem. Em função dessas características os discos eram armazenados numa capa que era introduzida no aparelho que por sua vez retirava o disco diretamente evitando o manuseio pelos consumidores.

A capacidade de um disco estava limitada a 74 minutos e, portanto, exigia múltiplos discos para filmes com duração maior. Foram lançados pouco mais de 1700 títulos CED entre 1981 e 1986 após o qual a RCA parou de fabricar equipamentos com esta tecnologia.

Edição Dupla em CED de Contatos Imediatos do 3º. Grau

A JVC desenvolveu no final dos anos 70 o sistema VHD (Video High Density – Vídeo de Alta Densidade), muito semelhante ao CED, sendo que ao invés de sulcos, os discos possuíam variações de capacitância que eram detectados por uma agulha especial. Embora ainda houvesse um certo contato com a superfície do disco sua duração era substancialmente maior que a de um disco CED. Também vinha com uma capa que impedia o consumidor de manusear o disco diretamente.

Embora tenha sido anunciado em várias feiras nos EUA a JVC decidiu por lançar o VHD apenas no Japão. A Thorn EMI da Inglaterra viu um grande potencial no VHD e chegou a fazer o investimento numa fábrica de prensagem de discos em Swindon com foco em títulos interativos. O planejamento era para o lançamento em 1984, mas ainda em 1983 a empresa decidiu cancelar o projeto. Alguns títulos foram importados para a Inglaterra com foco em educação e treinamento, mas não atraiu muitos clientes interessados.

Este diferencial do sistema VHD que permitia a implementação de conteúdos interativos incluía títulos de Karaokê, videogames e ainda ferramentas de diagnósticos para veículos ou equipamentos. O sistema também como opcional uma conexão através de uma interface VHDpc com computadores MSX ou Sharp X1. No entanto, implementar estas funções interativas exigiam um planejamento muito sofisticado e o esforço no processo acabou por diminuir a atratividade da solução.

O VHD também foi um dos primeiros formatos a permitir a exibição de filmes em 3D através do uso de discos com dupla velocidade e com imagens alternadas para cada olho que eram exibidas em sincronia com óculos do tipo LCS (Liquid Crystal Shutter – Obturador de Cristal Líquido) passando a imagem correta para cada olho.

Foram lançados pouco mais de 2.000 títulos VHD no Japão e por volta de 1987 a JVC descontinuou a produção de equipamentos VHD. Os títulos continuaram sendo lançados até o início dos anos 90.  

O rei do pedaço

Com o lançamento do CD (Compact Disc) para áudio em 1987, a indústria passou a perseguir formatos de disco compacto para vídeo digital.

O primeiro destes formatos foi o Vídeo CD que foi lançado em 1993 nos EUA, Europa e Japão. O VCD foi comercializado como um sucessor direto do Laserdisc, mas com as características e facilidades do CD. Sua qualidade de imagem não estava no nível do Laserdisc, e o fato de poder ser facilmente copiado afastou os estúdios do formato.

O VCD teve um relativo sucesso na Ásia e especialmente na China onde se tornou um padrão para a comercialização de filmes. Além da China o VCD também foi muito utilizado na Tailândia, Vietnam, Coréia e até na Turquia. Os filmes eram rapidamente relançados em VCD nestes países fazendo com que viessem a abandonar o VHS ainda nos anos 90.

Cada disco conseguia armazenar entre 74 e 80 minutos o que exigia mais de um disco para colocar um filme. Também surgiram versões alternativas do VCD como o SVCD que tinha com maior resolução e um tempo total por disco de 50 minutos. Outros formatos foram o XSVCD e o XVCD com compressão feita por MPEG2 e um tempo mais limitado por disco.

No Brasil chegamos a ter vários lançamentos de shows sendo feitos em VCD quando o DVD já estava no seu auge. Isto se deu pelo custo mais reduzido de produção permitindo lançar shows que ficariam muito caros no DVD. O mesmo se deu com alguns filmes adultos e desenhos animados de produtoras de baixo custo.

Edição em VCD lançada no Brasil pela Sony Music

Com a falta de proteção anti-cópia no VCD, os estúdios buscaram investir em soluções que possuíam estes mecanismos. Surgiu então o que é até o hoje o formato de mídia física de maior sucesso em todo o mundo, o DVD.

No início de 1990, havia dois tipos de discos-ópticos de alta capacidade em desenvolvimento: um era o MultiMedia Compact Disc (MMCD), liderado pela Philips e Sony, e o outro era o Super Density Disc (SD), patrocinado pela Toshiba, Time-Warner, Matsushita Electric (Panasonic), Hitachi, Mitsubishi, Pioneer, Thomson e JVC. Era importante para a indústria evitar a mesma guerra de formatos que se deu entre VHS e Betamax.

Sendo assim Philips e Sony foram convencidas a abandonar o formato MMCD e apoiar o padrão da Toshiba com duas modificações relacionadas com a tecnologia utilizada. A primeira foi a geometria que permitisse a passagem das faixas (assim como no CD), que era uma tecnologia conjunta da Philips e Sony. A segunda era a adoção do sistema Philips EFMPlus que embora fosse menos eficiente em termos de armazenamento (4,7GB contra os 5GB originais) possuía uma maior resistência a intempéries tais como arranhões e impressões digitais.

O resultado foi o DVD 1.5, terminado em setembro de 1996. Em maio de 1997, o Consórcio DVD mudou para Fórum DVD, sendo aberto para todas as empresas do mercado.

Os primeiros DVD Players foram lançados em novembro de 1997 no Japão e em março de 1998 nos Estados Unidos. Apenas em 1999 foram disponibilizados na Europa e em 2000 na Austrália.

O primeiro filme em DVD lançado nos Estados Unidos foi o Twister em 1996 como a base para um teste do sistema Surround Sound 2.1. No Brasil, o primeiro DVD de filme foi Era uma vez na América, da FlashStar, lançado em 1998.

DVD Contatos Imediatos

Um concorrente que surgiu nos EUA através das lojas Circuit City foi o DIVX, Digital Video Express. Criado com as mesmas características físicas do DVD e que possuía como grande diferencial o seu modelo de negócio. Naquela época o preço de um DVD era muito alto e para contornar esta situação eles decidiram vender um título num preço muito mais baixo, por volta de US$4,50, mas com um prazo de validade de 48 horas. O conceito era muito semelhante a uma locação, mas você não precisava devolver o disco. Se quisesse ver de novo após as primeiras 48 horas bastaria pagar outros US$4,50 ou então pagar o valor para a versão “DIVX Silver” que custava uma taxa adicional bem maior.

Para suportar este modelo de negócio era necessário adquirir um player especial que tivesse a capacidade de decodificar o conteúdo do disco e de se comunicar com a empresa para validar a exibição conteúdo. Zenith, RCA e Panasonic anunciaram players para uso no sistema DIVX em meados de 1998. Este sistema chegou a ter apoio de alguns estúdios como a Fox, a Paramount e a Dreamworks que lançaram seus títulos exclusivamente em DIVX e também da Disney que lançou tanto em DIVX como em DVD.

Disco do sistema DIVX

 Após um lançamento em outubro de 1998 e uma venda de players que chegou a menos de 25% do total do mercado, o sistema sofreu uma forte oposição de consumidores e até de fabricantes indicando que o modelo atrapalharia a adoção do DVD. Os estúdios começaram a reclamar das conversões para DIVX Silver e o formato foi descontinuado em junho de 1999 com um total de 478 títulos lançados e pouco mais de 87.000 players vendidos.

Da mesma forma que o VHS, logo que foram lançados os preços dos players de DVD eram relativamente altos e apenas em 1999 atingiram o patamar de US$300. A venda dos players na rede de supermercados Wal-Mart fez com que aumentasse o interesse dos consumidores pelo DVD, fazendo com que outras lojas também passassem a comercializar os players o que levou a um rápido crescimento da tecnologia nos EUA.

Devido à desvalorização da moeda brasileira e à demora na decisão sobre a região a ser adotada no Brasil, o DVD só começou a se popularizar a partir de 2003, mas em poucos anos substituiu o antigo formato VHS. Já em 2006, o aluguel de DVD havia superado o de fitas VHS nas locadoras paulistanas.

O grande sucesso do DVD vem de suas características construtivas e funcionais. O disco é pequeno e de fácil utilização. O suporte a múltiplos áudios e legendas abriu a perspectiva para implementação de áudio original e dublagem no mesmo disco além de possibilitar o suporte a múltiplas legendas em diferentes idiomas.

A qualidade do vídeo era muito superior à do VHS e também do Laserdisc, além de ter suporte a vídeo progressivo o que melhorava substancialmente a nitidez da imagem.

Comparação de Resoluções dos Formatos

Seu áudio digital abriu ao mercado residencial a possibilidade de implementar configurações de múltiplos canais e com um grau de imersão só experimentado pelos sistemas de Laserdisc que eram muitas vezes mais caros que o DVD.

Em relação a sua capacidade, ele foi lançado inicialmente com uma única camada e uma capacidade de armazenamento de 4,7GB. Logo em seguida foram implementados os DVD de dupla camada elevando a capacidade para 8,5GB. Com esta configuração havia espaço para a colocação de um filme com mais de 1,5 horas, com a máxima qualidade, além de conteúdos extras.

Sua maior restrição estava na divisão do mundo em regiões limitando a fabricação de players que pudessem ler discos de todas as regiões. Isto eventualmente foi superado com as configurações dos players para abrir todas as regiões.

Regiões de Codificação do DVD

 O DVD ainda representa mais de 50% das vendas de mídia física nos EUA e até hoje foram lançados mais de 200 mil títulos em DVD. Este sucesso se deve a um bom equilíbrio entre preços dos produtos, qualidade da imagem e facilidade de acesso. O mesmo se dá no Brasil e em outras partes do mundo onde o DVD continua sendo a mídia física mais vendida.

Visão geral de formatos de discos óticos

 A alta definição

Com o crescimento da alta definição e a disponibilização de TVs neste formato uma nova guerra se apresentou no horizonte.

Sony capitaneou um formato desenvolvido em conjunto com a Philips. Inicialmente chamado de DVR Blue devido ao tipo de laser de 405 nanômetros utilizado, foi posteriormente anunciado como Blu-ray Disc. Além da Philips apoiaram a iniciativa a Panasonic, Samsung, Sharp e a maioria dos estúdios.

O HD DVD foi o formato de alta definição concorrente criado em conjunto com o DVD Fórum e também implementado com um laser de 405nm e que foi promovido por Toshiba, Nec, Sanyo e posteriormente por Microsoft, HP e Intel.

Comparação na leitura de CD, DVD, HD DVD e Blu-ray

Embora compartilhassem especificações físicas semelhantes o Blu-ray tinha uma maior capacidade que o HD DVD e apenas a Universal e a Paramount decidiram apoiar unicamente o HD DVD. Os demais estúdios se direcionaram para o Blu-ray com a Warner lançando títulos nos dois formatos.

Folheto Warner lançamentos Blu-ray e HD DVD

Lançados praticamente juntos no mercado em 2006 os dois formatos mantiveram uma longa guerra que durou até 2008. Enquanto isso o mercado via o lançamento de títulos nos dois formatos gerando uma grande confusão e muito desinteresse em adotar um ou outro formato.

HD DVD da Universal

 Tendo maior capacidade e maior interatividade que o concorrente, o Blu-ray teve uma grande ajuda na decisão da Sony de utilizar um player de Blu-ray no Playstation 3, o que acabou fazendo com que se tornasse o player de alta definição mais vendido no mercado.

A Microsoft não incluiu um player de HD DVD no Xbox 360 vendendo-o apenas como um acessório e isso desestimulou os consumidores a adquirir o produto. Por outro lado, o HD DVD tinha uma estrutura de fabricação bem mais barata pois utilizava as mesmas características de construção dos DVDs e isso fez os estúdios duvidarem da escolha pelo Blu-ray.

A luta continuou nos bastidores com a disputa pelos estúdios que estavam se inclinando para um lado ou outro. A Fox por pouco não mudou para o HD DVD e tanto ela quanto a Warner foram decisivos para mudar a balança na direção do Blu-ray.

Em fevereiro de 2008 a Toshiba anunciou que descontinuaria a produção dos equipamentos HD DVD encerrando a guerra dos formatos de alta definição.

Blu-ray de Contatos Imediatos do 3º. Grau

Um aspecto muito relevante desta nova geração é o áudio com codificação sem perdas como o DTS HD Master Audio ou Dolby TrueHD além da possibilidade de uso dos novos sistemas Dolby Atmos e DTS: X que são os sistemas surround de mais alta qualidade e ambientação tridimensional.

Da mesma forma que o DVD, o Blu-ray também é codificado em regiões. No entanto houve uma redução para apenas 3 regiões: A, B e C o que facilitou o trânsito e a importação de discos principalmente dos EUA para o Brasil.

Regiões de Codificação do Blu-ray

Embora vencedor nesta guerra de formatos, o Blu-ray nunca atingiu os níveis de popularidade do DVD tanto pelos altos custos de equipamentos e títulos, como também pelo início da transição da distribuição de filmes para o streaming.

No mercado americano o Blu-ray representa uma média de 25% de toda a mídia física vendida, ficando muito abaixo do campeão de vendas que continua sendo o DVD.

No Brasil a comercialização de Blu-rays foi iniciada através da importação direta de títulos específicos, trazidos diretamente pelos estúdios e que mantiveram a prática por alguns anos. A primeira empresa que replicou Blu-rays localmente foi a Microservice em novembro de 2009 e hoje temos apenas duas empresas que fazem esta produção: a Innova/Videolar e a Solutions 2 Go.

O futuro do Blu-ray no Brasil é muito desafiador já que o mercado migrou fortemente para o streaming e as pequenas tiragens aqui vendidas acabam elevando os preços das edições.

O Blu-ray 4K

Em 2014, a Associação Blu-ray Disc apresentou o formato 4K Blu-ray que suporta a resolução 4K UHD (3840×2160) de vídeo com até 60 quadros por segundo.

Os discos Blu-ray 4K também implementaram o suporte ao High Dynamic Range (HDR), que aumenta o contraste e a profundidade de cor de 8 para 10 bits além de uma maior gama de cores deixando a imagem mais próxima da realidade.

A especificação do Blu-ray 4K permite três tamanhos de discos, cada um com a sua própria taxa de dados: 50GB com 82 Mbit/s, 66GB com 108 Mbit/s, e 100GB com 128 Mbit/s. Os primeiros players 4K foram lançados em 2016 com preços elevados e pouca atratividade para o mercado.

Edição Blu-ray UltraHD 4K de Contatos Imediatos do 3º. Grau 

Nem todos os players implementam todas as funcionalidades disponíveis na especificação e isso é um fator que limita a diferenciação entre o Blu-ray convencional e o 4K. Muitos players não suportam Dolby Vision que é um dos tipos de HDR mais desejados.

Tanto Sony como Microsoft utilizam discos 4K nos seus videogames de última geração. No caso da Microsoft já era possível encontrar um player 4K nos equipamentos da geração anterior como os Xbox One S e X. No entanto, as funções de HDR não estão disponíveis para todos os players como é o caso do Dolby Vision.

O 4K Ultra HD representa menos de 10% do mercado americano de mídia física e estão disponíveis por volta de 1.000 títulos no total.

Seu desafio para conquistar o mercado é ainda maior e a situação do mercado é muito mais complexa do que a que enfrentou o Blu-ray no seu lançamento. Muitos serviços de streaming apresentam filmes em 4K e poucos são os consumidores que conseguirão diferenciar o conteúdo exibido através de um disco 4K ou pelo serviço de streaming.

O foco do mercado de 4K está cada vez maior nas edições de filmes lançados originalmente em película. Onde o processo de remasterização em 4K pode levar ao filme um nível de qualidade nunca antes visto numa exibição residencial. É certo, portanto, que a procura por títulos em mídia física continuará pois os colecionadores ainda apreciam as edições especiais e além da qualidade obtida numa exibição de um disco 4K.

No Brasil tivemos o lançamento em 2021 da primeira edição em 4K que foi O Quinto Elemento realizado pela Obras Primas. Uma edição de primeiro mundo e que ainda se encontra à venda.

Este lançamento expôs as dificuldades do mercado quando se fala em edições sofisticadas como esta em 4K. Além de todos os aspectos relacionados aos custos de licenciamento existe a necessidade de fabricação fora do Brasil já que não temos suporte a prensagens de discos em 4K. Esperamos que novas edições como esta possam ser lançadas no Brasil mesmo com todo o desafio que representam.

Edição 4K do Quinto Elemento da Obras Primas

Não sabemos o que o futuro nos trará, mas é difícil que tenhamos uma nova mídia física com uma resolução ainda maior, como por exemplo um 8K. Para isso teríamos que ter uma maior popularização da mídia física para que as empresas façam os investimentos necessários em novos players, TVs e edições neste novo formato. Já está sendo muito difícil ampliar o mercado de 4K e, portanto, desenvolver um novo formato, ainda mais sofisticado, parece ser um contrassenso.

Como colecionadores queremos sempre o melhor, mas vendo este breve relato da história da mídia física percebemos que existem muito formatos interessantes para se colecionar e por isso entendemos a retomada de aquisições de VHS e até de outros formatos em nossa comunidade.

Vida longa à mídia física!

Live sobre o assunto desta matéria, que foi ao ar no dia da publicação:

DVDs e Blu-rays em oferta na Amazon Brasil:

CLIQUE AQUI